Quarta-feira, 24 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 29 de abril de 2018
O Diário Oficial da União publicou a nomeação do delegado Márcio Adriano Anselmo como coordenador-geral de Repressão à Corrupção da PF (Polícia Federal), em Brasília. A nomeação foi realizada pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública. O delegado é considerado a alma da Operação Lava-Jato. Foi ele o responsável pelo início das apurações da Operação Lava-Jato, em Curitiba, a partir da retomada em 2013 de um inquérito de 2009 que estava parado. À época, sob o comando da delegada Erika Marena, identificou nas escutas do Posto da Torre, em Brasília, do doleiro Carlos Habib Chater, o “Beto”, doleiro Alberto Youssef e desencadeou os fatos que resultaram em março de 2014 na primeira fase da operação.
Depois de ajudar a prender Marcelo Odebrecht, em junho de 2015, e conduzir as investigações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Anselmo deixou o grupo da Lava-Jato em 2016, com a crise na força-tarefa gerada pelas interferências da PGR (Procuradoria-Geral da República). Passou pelo cargo de corregedor na Superintendência da PF no Espírito Santo e atualmente comanda a DFIN (Divisão de Repressão aos Crimes Financeiros).
Com a troca de comando na PF e a assunção de Rogério Galloro, Anselmo foi indicado e aguarda nomeação para chefiar a nova estrutura da CGRC (Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção), que teve incorporada a DFIN, que agora virou SFIN (Serviço de Repressão aos Crimes Financeiros).
Márcio Adriano Anselmo recebeu o convite para assumir a coordenação em março, conforme destacou o blog de Matheus Leitão, do portal G1. Segundo o organograma da PF, o delegado trabalhará dentro da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado, chefiada hoje pelo delegado Elzio Vicente da Silva.
Reforços
Anselmo decidiu reforçar a equipe de lavagem de dinheiro com dois nomes da equipe de delegados do Paraná que atuavam com ele no escândalo Petrobras para fortalecer a nova estrutura da CGRC: Maurício Moscardi Grillo e Renata da Silva Rodrigues, conforme o blog de Fausto Macedo, do jornal O Estado de S.Paulo.
Moscardi, o novo coordenador-geral de lavagem de dinheiro, estava na Lava-Jato desde o começo do escândalo e atuava como substituto do delegado regional de Combate ao Crime Organizado do Paraná Igor Romário de Paula. Conduzia também a Operação Carne Fraca, contra corrupção na fiscalização do Ministério da Agricultura nas empresas de carnes e processados.
Renata entrou na Lava-Jato na segunda fase, em que a equipe recebeu reforços com o crescimento da operação e foi uma das principais delegadas a conduzis os casos da Odebrecht.
Os dois também aguardam pela oficialização com a nomeação pelo ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungamann. Eles foram transferidos de Curitiba quatro dias após a prisão de Lula, ocorrida no dia 7 deste mês.
Com a mudança, haverá um reforço na área de combate aos crimes financeiros, que agora ganham uma coordenação, e com atenção especial ao desvio de recursos públicos.
Com a “importação” de dois nomes da equipe da Lava-Jato de Curitiba, Anselmo, quer enfoque especial na corrupção de agentes públicos e políticos e o espelhamento de técnicas de investigação que deram certo no escândalo Petrobras.
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