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Brasil O depoimento do ex-ministro Antonio Palocci ao juiz Sérgio Moro aumentou a preocupação do PT sobre a candidatura de Lula em 2018

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Lula e Palocci (D). (Foto: Agência Brasil)

O depoimento do ex-ministro Antonio Palocci ao juiz federal Sérgio Moro aumentou a preocupação do PT sobre a candidatura de Lula em 2018. Segundo fontes internas, até amigos de Lula avaliam que ele errou ao desqualificar drasticamente o ex-titular da Fazenda em sua oitiva ao magistrado.

Dentro e fora da legenda, ninguém ignora que Palocci era um fiel escudeiro de Lula. Por esse motivo, petistas chegados ao ex-presidente ficaram com a impressão de que, ao pintar Palocci como um “mentiroso frio e calculista”, o ex-chefe do Palácio do Planalto condenou-se ao descrédito.

Petistas que privam da intimidade de Lula acham que, em vez de desqualificar Palocci, o pajé do PT deveria ter recoberto seu ex-ministro de elogios. Na sequência, Lula associaria o desejo de Palocci de se tornar um delator à prisão longeva e a uma hipotética pressão psicológica da equipe da Lava Jato. O efeito seria o mesmo. Com a vantagem de que Lula não precisaria ter cutucado Palocci com o pé, arriscando-se a ser mordido com mais força pelo delator-companheiro.

Apesar do discurso externo, situado em algum lugar entre a vitimização e o triunfalismo, o PT rumina internamente a impressão de que Palocci ficou ainda mais à vontade para contar o que sabe aos investigadores. E ele sabe demais. Já havia declarado diante do juiz da Lava Jato que Lula fizera um “pacto de sangue” com a Odebrecht, que rendeu um pacote de propinas de R$ 300 milhões.

Descobre-se agora, que Palocci já informou em sua proposta de delação que entregou dinheiro vivo a Lula em pelo menos cinco ocasiões. Foram pacotes de R$ 30 mil, R$ 40 mil ou R$ 50 mil. Formalmente, Lula nega. Informalmente, começa a admitir, longe dos refletores, que pode ter subestimado o teor radioativo de uma delação de Palocci. O resultado prático é que a candidatura presidencial de Lula vai migrando rapidamente da condição de “provável” para a de “inviável”.

Apreensão

Em seu depoimento de quarta-feira em Curitiba (PR), Lula disse ter ficado preocupado com a confirmação de que Palocci faria um acordo de delação. O temor seria motivado, segundo ele, pelo fato de se considerar o alvo de uma caça às bruxas. Lula ainda sugeriu que Palocci o acusa de ilícitos apenas para deixar a prisão.

“Só quero dizer que há uma caça às bruxas e, então, eu fiquei muito preocupado com a delação do Palocci porque ele poderia ter falado eu fiz isso ou aquilo de errado, mas ele, espertamente, disse ‘não é que sou santo’ e… pau no Lula! Isso é um jeito de você conquistar veracidade na sua frase. Eu fiquei com pena disso”, declarou Lula, em suas considerações finais à Justiça Federal.

O depoimento é de uma investigação relativa ao terreno que serviria ao novo Instituto Lula e também referente ao apartamento de cobertura usada pelo ex-presidente em São Bernardo do Campo (SP). Ainda sobre o ex-ministro, Lula disse que não sente raiva e disse que Palocci acusa terceiros para ganhar a liberdade.

“Muita gente achou que ia chegar aqui com raiva do Palocci. Eu achei que o Palocci está preso há mais de um ano, ele tem o direito de querer ser livre, de ficar com um pouco do dinheiro que ele ganhou fazendo palestras. Ele tem família. Tudo isso eu acho. O que não pode é, se você não quer assumir a tua responsabilidade pelos fatos ilícitos que você fez, não jogue em cima dos outros”, disse.

Na semana passada, Palocci rompeu o silêncio, fez um relato devastador e entregou o ex-presidente, a quem atribuiu envolvimento com o que chamou de “pacto de sangue” com a empreiteira Odebrecht que previa repasse de R$ 300 milhões para o governo petista e para Lula.

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