Quinta-feira, 06 de Agosto de 2020

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CAD1 O deputado cassado Eduardo Cunha ficará preso em Brasília até o seu interrogatório

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No primeiro processo, Moro condenou Cunha a 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção, de lavagem e de evasão fraudulenta de divisas. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O deputado cassado Eduardo Cunha permanecerá em uma carceragem da Polícia Civil em Brasília até ser interrogado na ação penal da Operação Sépsis, que investiga desvios em uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal. Atualmente, Cunha está preso preventivamente em Curitiba (PR), após condenação em primeira instância na Operação Lava-Jato, mas teve autorizado seu deslocamento temporário a Brasília para que pudesse prestar depoimento. Os interrogatórios dos cinco réus na ação penal começaram no dia 26 na 10ª Vara Federal de Brasília. Já prestaram depoimento o ex-vice-presidente da Caixa Fabio Cleto e o empresário Alexandre Margotto.

Na sexta-feira (27), começou a ser ouvido o ex-operador financeiro de Cunha, Lucio Funaro, mas o seu interrogatório ainda não foi concluído e deve ser retomado na próxima terça-feira. Cunha será o último a ser interrogado, após o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, também réu na ação.

Cunha obteve autorização do juiz Vallisney de Souza Oliveira, responsável pela Sépsis, para falar com a imprensa, mas somente após o seu interrogatório. Na saída da sala de audiências, o ex-deputado deu somente uma breve declaração à imprensa: “Estou com muita saudade de vocês”.

Cunha disse que, no depoimento que prestará à Justiça Federal sobre a acusação de ter recebido propina em esquema da Caixa, irá “desmentir tudo” e “mostrar as mentiras que estão sendo faladas”. O interrogatório de Cunha está marcado para o próximo dia 6 de novembro, a partir das 9h. “Eu vou desmentir tudo. É uma repetição do que já está na delação e, no meu interrogatório, eu vou fazer a minha defesa e mostrar as mentiras que estão sendo faladas”, disse Cunha ao final de uma audiência em Brasília para o interrogatório dos réus no processo. Eduardo Cunha foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 15 anos e 4 meses de prisão.

Em Brasília, Cunha está na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), órgão da Polícia Civil do Distrito Federal. A previsão inicial era de que ele já voltaria para Curitiba neste sábado. Cunha foi levado a Brasília para acompanhar os depoimentos dos demais réus e para ele próprio depor.

Funaro

O corretor Lúcio Funaro afirmou nesta sexta-feira que se encontrou “no mínimo” 780 vezes com o ex-deputado Eduardo Cunha, ao detalhar em depoimento nesta tarde à Justiça Federal a relação e os negócios que mantinha com o peemedebista.

“Uma relação que durou aí 15 anos e eu encontrei pelo menos uma vez por semana com o deputado Eduardo Cunha. São 780 encontros no mínimo”, disse Funaro ao juiz Vallisney de Oliveira, fazendo a conta de cabeça. Cunha foi “centenas” de vezes no escritório de Funaro, disse o delator. Segundo ele, o peemedebista tinha liberdade para entrar no escritório e sentar na cadeira do corretor para receber “quem quiser”.

Funaro confirmou a divisão de dinheiro de propina com Cunha. Ele mencionou, por exemplo, que tinha uma sala em seu escritório para guardar dinheiro. E também afirmou que o peemedebista gastava “na própria política” o dinheiro que arrecadava. Segundo ele, “tem político que guarda para si” e outros que usam o valor para angariar apoio na política. “Eduardo Cunha usou 100% na própria politica, sou convicto de que tudo o que ele tem e arrecadou gastou na própria política”, disse Funaro.

 

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