Sábado, 28 de março de 2026
Por Suellen Ribeiro | 3 de fevereiro de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Quando o medo não é alerta, mas o início de um novo alinhamento.
Tenho percebido, com cada vez mais clareza, que a vida é feita de começos. E, quase sempre, de recomeços.
Nos últimos dias, uma pessoa muito próxima me procurou dizendo que está tentando se recolocar no mercado de trabalho. Surgiu uma oportunidade concreta, mas, junto com ela, vieram o medo, a dúvida e a insegurança de não saber se aquele era o caminho certo. Esse tipo de angústia é mais comum do que se imagina. Ela atravessa gerações, profissões e momentos de vida.
A verdade é que quase todo começo assusta. Começar significa sair de um lugar conhecido, mesmo quando esse lugar já não é confortável. Existe uma ideia equivocada de que recomeçar é algo reservado a quem está parado, sem rumo ou em crise evidente. Não é. Existem vários tipos de recomeço.
Há o recomeço de quem está voltando ao mercado.
Há o recomeço de quem nunca saiu, mas percebe que precisa mudar de rota.
E há o recomeço de quem, aos olhos de fora, parece estar bem, mas carrega uma inquietação silenciosa que não consegue explicar.
Voltar para a televisão agora, depois de doze anos, também é um recomeço para mim. Meus negócios estão em movimento, minha vida está estruturada, mas havia algo que não se calava. E quando Deus chama, a pergunta não é se é confortável. A pergunta é se vamos obedecer. Fingir que não ouvimos raramente traz paz.
O recomeço, muitas vezes, não é sinal de ruptura. É sinal de alinhamento. Nem sempre o primeiro passo é começar algo do zero. Às vezes, é dar o primeiro passo em algo que nunca foi feito. Outras vezes, é retornar a um lugar antigo, mas agora com maturidade, consciência e responsabilidade.
Ao longo da vida, aprendi a reconhecer um critério que não falha: paz. Se a decisão está alinhada com os teus valores, se o coração encontra descanso, mesmo com medo, vá. Agora, se a oportunidade vem acompanhada de confusão constante, ansiedade desordenada e aperto no peito, mesmo que pareça perfeita no papel, é preciso atenção. Deus não conduz pela confusão.
Nem todo medo é sinal de alerta. Em muitos casos, ele apenas indica que estamos deixando um lugar antigo. O erro mais comum é esperar sentir segurança total para dar o primeiro passo. Ela quase nunca vem antes do movimento.
Cada recomeço refina quem somos. E, muitas vezes, descobrimos que Deus não está nos tirando de algo, mas nos conduzindo para algo maior. Permanecer, quando já ficou claro que não é mais o lugar, costuma custar mais caro do que mudar.
Agora é tempo de recomeçar. Seja iniciando um esporte, aprendendo uma nova habilidade, aceitando um novo trabalho ou retomando algo que ficou guardado por anos. Fevereiro está apenas começando. Ainda temos meses valiosos pela frente para agir com consciência, fazer escolhas melhores e construir, passo a passo, aquilo que faz sentido permanecer.
O tempo não muda nada sozinho. O que transforma a vida é a coragem de agir quando o desconforto deixa de ser aviso e passa a ser direção.

(Suellen Ribeiro – Empresária, mentora em posicionamento de marca pessoal e palestrante. Apresentadora do Jornal da Pampa – Grupo Rede Pampa. Instagram: @suribeiroc)
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