Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 1 de junho de 2018
O dólar fechou acima de R$ 3,76 nesta sexta-feira (1º), com a demissão de Pedro Parente da presidência da Petrobras prejudicando a percepção dos investidores, sobretudo os estrangeiros, sobre a condução da economia brasileira e impactos do subsídio ao diesel sobre as contas públicas.
A moeda norte-americana teve valorização de 0,79%, a R$ 3,7652 na venda. A moeda não fechava acima desse patamar desde março de 2016. Na máxima da sessão, chegou a R$ 3,7703, justamente quando saiu a notícia da renúncia de Parente.
O dólar encerrou o mês de maio cotado a R$ 3,7356 na venda, acumulando alta de 6,65% no mês. No ano, a moeda acumulou até o pregão da última quarta-feira (30) alta de 12,74%. “A demissão gera dúvidas sobre a continuidade das políticas ortodoxas do governo”, afirmou o economista-sênior do Banco Haitong, Flávio Serrano, ao justificar a piora do mercado.
Parente decidiu deixar o cargo em meio a discussões sobre a política de preços da petroleira. Por causa da greve dos caminhoneiros, a estatal havia concordado em reduzir a frequência dos reajustes do diesel por um determinado período contanto que a União pagasse pelas perdas causadas à empresa.
Parente trouxe credibilidade à estatal, bastante arranhada após o rombo decorrente da Operação Lava-Jato, com a implementação de política de reajustes quase que diários dos combustíveis, acompanhando os preços internacionais do petróleo.
Cenário externo
Na abertura, a moeda subia ante o real, depois que dados mais fortes do mercado de trabalho norte-americano endossaram a força da economia do país e reforçaram as apostas de mais juros nos Estados Unidos neste ano.
Foram criadas 223 mil nos EUA vagas em maio, a taxa de desemprego ficou em 3,8 por cento e houve avanço de 0,3 por cento na renda média por hora. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de abertura de 188 mil postos de trabalho, 3,9 por cento de taxa de desemprego e 0,2 por cento de avanço na renda.
Os operadores seguem confiantes sobre os aumentos da taxa básica em junho e setembro e vêem cerca de 36 por cento de chance de um aumento nos juros em dezembro, ante 32 por cento antes do relatório. O Fed elevou a taxa uma vez este ano até o momento, em março. Os operadores também aumentaram as apostas de novos aumentos em 2019.
Além disso, havia alguma tensão com o recrudescimento de uma guerra comercial após os Estados Unidos anunciarem tarifas de importação sobre alumínio e aço do Canadá, México e União Europeia.
“Investir em ‘risco’ no atual momento não parece ser a melhor decisão, afinal os cenários externo e interno não contribuem para essa ousadia, ainda mais em uma sexta-feira de emenda de feriado, o que reduz a liquidez dos mercados no Brasil”, comentou a Advanced Corretora em relatório.
No exterior, o dólar subia ante a cesta de moedas, e operava misto ante as moedas emergentes.
Banco Central
Internamente, o BC (Banco Central) manteve sua atuação no mercado de câmbio. Vendeu 15 mil novos contratos de swap cambial tradicional – equivalente à venda futura de dólares -, totalizando US$ 750 milhões. Em maio, o BC vendeu US$ 7,250 bilhões em novos contratos.
Também vendeu integralmente a oferta de até 8.800 contratos de swap cambial tradicional, rolando R$ 440 milhões do total de US$ 8,762 bilhões que vence em julho.
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