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Brasil O dólar subiu e fechou perto de 3,55 reais, o maior valor nos últimos dois anos

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Juros e inflação nos EUA elevaram cotação da moeda americana. (Foto: Fernanda Carvalho/ Fotos Públicas)

O dólar iniciou o mês de maio com alta de 1,3%, cotado a 3,5491 reais. É a maior cotação em dois anos para a moeda americana. Em abril, a moeda acumulou expansão de 6,16%, maior valorização mensal em quase um ano e meio. Um dos fatores que puxou a alta foi a decisão do Federal Reserve, o banco central americano, de manter a taxa de juros entre 1,5% e 1,75%.

“A manutenção de juros nos Estados Unidos e a expectativa de novas altas nos próximos encontros contribuem para o aumento do dólar não só entre os emergentes, mas também na comparação com os países desenvolvidos”, diz o analista-chefe da Rico Investimentos, Roberto Indech.

Segundo ele, a incerteza sobre cenário eleitoral também pode interferir na valorização da moeda americana. “É difícil prever em quanto ficará a moeda nos próximos meses, mas por aqui a eleição terá papel importante nesta composição. Hoje, a realidade que temos que enfrentar é um dólar em um patamar entre 3,40 reais e 3,60 reais. Se vai ficar acima ou abaixo disso é difícil saber”, avalia.

O gerente de câmbio da Treviso, Reginaldo Galhardo, explica que com o aumento da taxa de juros nos EUA, os investidores tendem a sair de países emergentes e com mais risco para aplicarem seus recursos nos Estados Unidos. “Se os juros americanos continuarem subindo, a tendência é que haja um repatriamento de dólares para lá”, considera.

Além da questão da taxa de juros, a guerra comercial entre Estados Unidos e China também influencia no valor da moeda. “Isso sem falar que, mesmo que todo o cenário externo fique positivo, até que haja uma definição eleitoral a tendência é que a moeda siga com oscilação”, finaliza Galhardo.

Juros e inflação

O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) deixou sem mudanças nesta quarta-feira as taxas de juros, na categoria entre 1,5% e 1,75%, e disse prever que a inflação se situe “perto” da meta anual de 2% “no médio prazo”. O comunicado emitido ao término da sua reunião de dois dias sobre política monetária aponta a uma mais que possível alta de juros no seu próximo encontro, previsto para meados de junho.

“O Comitê (Federal de Mercado Aberto) espera que as condições econômicas evoluirão de maneira que exijam maiores e gradativos aumentos nas taxas de juros”, ressaltou a nota do banco central americano.

A decisão foi adotada de forma unânime, com oito votos a favor e nenhum contra. A inflação parece ter finalmente subido nos últimos meses e, depois de anos abaixo do patamar de 2% anual fixado pelo Fed, começou a ultrapassá-lo.

Estas pressões inflacionárias, somadas à boa saúde da economia com uma taxa de desemprego de 4,1%, levaram os analistas a antecipar que o organismo dirigido por Jerome Powell efetue três aumentos adicionais do preço do dinheiro no resto do ano, ao invés das duas previstas inicialmente. O Fed já havia aumentado as taxas de juros no seu encontro do último mês de março.

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