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Brasil O dono da JBS/Friboi afirmou à Polícia Federal que pagou, em 2012, 2 milhões de reais ao ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci

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Empresário afirma que contratou consultoria, e PF investiga se há ligação com o BNDES. (Foto: Reprodução)

O empresário Joesley Batista, dono da JBS, afirmou em depoimento à PF (Polícia Federal) que fez, em 2012, um contrato de consultoria de aproximadamente R$ 2 milhões com o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Pelo acordo, o ex-ministro, então deputado federal, receberia pagamentos mensais entre R$ 30 mil a R$ 50 mil para fazer um estudo sobre macroeconomia nos Estados Unidos e falar sobre política em encontros regulares com o empresário.

A polícia investiga se os pagamentos estariam ou não vinculados a financiamentos concedidos pelo BNDES a JBS. Joesley também disse que fez um empréstimo de US$ 5 milhões para um filho do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A empresa do filho do ministro quebrou e o empréstimo não teria sido pago. O empresário disse ainda que, quando Mantega assumiu o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), em 2005, passou a fazer pagamentos mensais a outro empresário, Victor Sandri, amigo do ex-ministro.

Pedido de R$ 20 milhões

O papel de Sandri, um dos donos do Grupo Cimento Penha, seria aproximar os donos da JBS de Mantega. A relações entre o ex-ministro e o empresário já estão sendo investigadas na Operação Zelotes. Joesley disse que fez “pagamentos por fora”, ou seja, não haveria registros contábeis dos pagamentos a Sandri. O depoimento de Batista, prestado na quarta-feira à delegada Danielle de Meneses Oliveira, foi divulgado pelo site Buzzfeed.

Ainda ao falar sobre Palocci, Joesley confirmou que o ex-ministro pediu R$ 20 milhões para a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010. O dinheiro teria saído de três empresas do grupo J&F, controladora da JBS. O empresário negou, no entanto, ter atuado em negócios escusos da JBS no BNDES ou outras áreas do governo federal. Ele e Palocci são amigos e, até o ex-ministro ser preso um costumava, visitar a casa do outro.

“O depoente esclarece que não tem qualquer interesse em protegê-lo”, disse Joesley. Palocci está preso em Curitba. Recentemente, passou a negociar acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava-Jato. Joesley disse ainda fez um empréstimo de US$ 20 milhões para Mantega. O dinheiro teria sido depositado numa conta indicada. Um ano depois, o dinheiro retornou à conta de origem. O empresário não soube dizer quem era o titular da conta, nem a finalidade do empréstimo.

Contrato com Funaro

O empresário reafirmou ainda que costumava apresentar a Mantega o extrato de uma conta aberta no exterior para fazer pagamentos a políticos. Em um depoimento da delação premiada, Joesley disse que era uma conta aberta para atender a demandas dos ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Parte dos pagamentos, liberados a partir dessa conta no exterior, teria ocorrido a mando do ex-ministro.

Joesley também apresentou detalhes de um contrato de R$ 100 milhões firmado entre ele o operador Lúcio Bolonha Funaro, que está preso em Brasília. O contrato teria sido firmado para cobrir pagamentos a políticos intermediados por Funaro. O operador alega que o dinheiro se deve a atuação dele nas negociações que levaram a JBS a comprar o frigorífico Bertin.

O empresário prestou depoimento no inquérito aberto para apurar supostas fraudes em financiamentos concedidos pelo BNDES a empresas do grupo J&F. (AG)

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