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Notícias O dono da JBS/Friboi Joesley Batista disse ter repassado uma fortuna ao senador Aécio Neves

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Joesley Batista deixando a Superintendência da PF em 5 de setembro de 2017 após prestar depoimento. (Foto: Arquivo/Rovena Rosa/Agência Brasil)

Em novo depoimento prestado à PF (Polícia Federal), em Brasília, o empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F, que comanda a JBS/Friboi, afirmou ter repassado R$ 110 milhões ao senador Aécio Neves (PSDB) durante a campanha eleitoral de 2014.

Joesley teria confirmado que os repasses milionários ao tucano estariam atrelados à futura atuação de Aécio em favor dos negócios do grupo J&F, conforme fontes ouvidas pelo jornal O Globo. O repasse milionário teria sido dividido pelos tucanos com outros partidos que apoiaram Aécio.

Os valores já constavam da delação da empresa, mas desta vez, para comprovar os repasses, Joesley ainda entregou aos investigadores uma extensa planilha de “doações” e um calhamaço de notas fiscais e recibos que comprovariam que parte da bolada foi repassada via doações oficias e outra parte, via caixa dois. Aécio sempre negou qualquer irregularidade nas suas relações com o dono do grupo J&F.

O empresário Joesley Batista foi interrogado na condição de colaborador. O depoimento de quinta-feira foi um complemento ao interrogatório realizado no dia 26 de março. Na sexta-feira, o jornal Folha de S.Paulo publicou detalhes de outro depoimento prestado pelo dono da J&F, em agosto de 2017, em que Joesley revela ter pago uma mesada de R$ 50 mil reais ao tucano, durante dois anos.

Segundo o jornal, o dinheiro teria sido repassado a Aécio por meio de uma rádio da qual o senador era sócio. Joesley disse que os pagamentos teriam sido solicitados diretamente pelo tucano em um encontro no Rio, no qual Aécio disse que usaria o dinheiro para “custeio mensal de suas despesas”. Joesley entregou aos procuradores 16 notas fiscais emitidas entre 2015 e 2017 pela Rádio Arco Íris, afiliada da Jovem Pan em Belo Horizonte.

No recente depoimento, Joesley detalha valores muito mais eloquentes que os R$ 50 mil da mesada paga a Aécio. Segundo o dono do grupo J&F, os R$ 110 milhões foram divididos entre o PSDB e dois partidos que integravam a coligação do senador mineiro. Os tucanos teriam ficado com R$ 64 milhões. O PTB, do ex-deputado Roberto Jefferson, teria recebido R$ 20 milhões. Já o Solidariedade, do deputado Paulinho da Força, teria levado R$ 15 milhões. O restante dos recursos teria sido dividido entre as campanhas de políticos indicados pelo PSDB, que apoiaram a candidatura de Aécio à Presidência da República.

Para comprovar as acusações, o empresário entregou uma extensa planilha de “doações” e um calhamaço de notas fiscais e recibos usados para simular prestação de serviços. O material seria ainda mais detalhado que as provas apresentadas pelos executivos da Odebrecht.

Segundo Joesley, ele aceitou repassar a bolada milionária a Aécio nas eleições de 2014, porque considerou que o tucano “era um candidato em ascensão e, para alguns, seria o próximo presidente da República”.

Depois de pagar os R$ 110 milhões, Joesley disse que foi procurado novamente pelo candidato do PSDB depois das eleições. Aécio teria pedido mais R$ 18 milhões para cobrir dívidas da campanha. A partir daí, ficou acertado que a transação seria mascarada com a compra de um prédio em Belo Horizonte.

Aprofundou o assunto

Em um dos depoimentos da delação premiada no ano passado, Joesley Batista disse que pagou R$ 60 milhões para Aécio nas eleições de 2014. Agora ele aprofundou o relato e é a partir desse material que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, deverá decidir se faz ou não nova denúncia contra o senador. Na primeira denúncia, recebida pelo Supremo Tribunal Federal, o senador é acusado de receber R$ 2 milhões do dono da JBS. É suspeito também de agir para atrapalhar as investigações da Lava-Jato.

Em resposta por escrito às declarações de Joesley Batista à PF, o advogado Alberto Toron disse que o empresário está tentando “de forma desesperada manter seu acordo de delação premiada que aguarda há sete meses para ser discutido pelo STF. E, por isso, mente mais uma vez”. Segundo o advogado, o PSDB recebeu R$ 60 milhões na campanha de 2014 e os recursos estão “devidamente declarados” à Justiça Eleitoral.

Toron argumenta ainda que “doações feitas a outros partidos não podem ser considerados de responsabilidade do PSDB tampouco de seu então presidente”. O advogado diz ainda que Aécio “em toda sua vida pública, jamais atendeu a qualquer interesse do sr. Joesley ou de seu grupo e, portanto, não teria razões para fazê-lo no futuro”.

 

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