Terça-feira, 07 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 23 de novembro de 2018
O fundador e presidente do conselho de administração da locadora de veículos Localiza, Salim Mattar, aceitou assumir a Secretaria-Geral de Desestatização e Desimobilização, que fará parte do Ministério da Economia no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, informou a assessoria de imprensa do futuro titular da pasta, Paulo Guedes, nesta sexta-feira.
Mattar chefiará o órgão responsável pelas privatizações que serão feitas na gestão de Bolsonaro, que tomará posse em 1º de janeiro.
“A nova secretaria vai ser responsável pelos desinvestimentos, desimobilização e busca de maior eficiência na gestão dos ativos da União”, afirma a nota da assessoria de Guedes.
Mattar fundou a Localiza em 1974, quando tinha 24 anos, e ocupou o cargo de diretor presidente da companhia, atualmente a maior locadora de veículos da América Latina, até maio de 2013.
Guedes, que ocupará um “superministério” da Economia na gestão de Bolsonaro, tem defendido um programa de privatizações no governo federal, tese que também é do presidente eleito.
Entre os ativos da União que podem passar às mãos da iniciativa privada estão a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, além de atividades de refino da petroleira estatal. Unidades de bancos públicos, como o Banco do Brasil, também podem ser privatizados.
Privatizações
O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, já tinha a intenção de criar uma Secretaria de Privatizações no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para acelerar o programa de venda de ativos brasileiros como forma de tentar melhorar a saúde fiscal do País.
Desde a campanha eleitoral, o guru econômico de Bolsonaro tem defendido a privatização de estatais e outros órgãos da burocracia como forma de fazer caixa a fim de reduzir o endividamento público do País – ele chegou a declarar, em entrevista, que há cerca de 1 trilhão de reais em ativos a ser privatizados.
A intenção de se criar esse órgão, segundo a fonte, é colocar a política de venda de ativos no centro das decisões do governo, sinalizando essa ação como uma das prioridades da futura gestão. Essa fonte lembrou que ainda na década de 1980, antes do Plano Cruzado, Paulo Guedes já fazia uma defesa enfática da venda de ativos brasileiros para pagar a dívida do país, o que ajudaria a derrubar os juros e fazer o Brasil ingressar em um ciclo de grandes investimentos. “Ele enxerga mais longe que todos”, disse a fonte, que pediu anonimato.
Bolsonaro, por sua vez, tem dado respaldo ao plano de privatizações de Guedes, seu “posto Ipiranga”, mas sempre tem demonstrado que haverá limites para o projeto. “Vai ser um grande plano de privatização? Sim, vai ser, mas com muita responsabilidade”, disse Bolsonaro em uma transmissão de vídeo no mês passado, voltando a especificar que não pensa em privatizar Furnas, subsidiária de geração controlada pela Eletrobras.
A estrutura na burocracia federal que atualmente mais se assemelha é a SPPI (Secretaria Especial de Programa de Parcerias de Investimentos), órgão vinculado à Secretaria-Geral da Presidência que gerencia, além de privatizações, concessões e parcerias-público privadas.
O PPI foi criado em 2016 por medida provisória no início do governo do atual presidente Michel Temer para garantir a ampliação e o fortalecimento da interação entre o Estado e a iniciativa privada para a celebração de contratos de parceria para a execução de empreendimentos públicos de infraestrutura e outras medidas de desestatização.
As privatizações ganharam impulso no país na década de 1990 com o PND (Programa Nacional de Desestatização) do governo do então presidente Fernando Collor de Mello.
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