Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 28 de fevereiro de 2019
O economista Roberto Campos Neto tomou posse nesta quinta-feira (28) como presidente do BC (Banco Central), em reunião privada no Palácio do Planalto. Ele assume o lugar de Ilan Goldfajn, que estava no comando da instituição desde junho de 2016. A transmissão do cargo ocorre depois do carnaval, em data ainda a ser definida, quando o novo presidente deve discursar em solenidade com a presença de convidados.
Ele assinou o termo de posse no gabinete do presidente Jair Bolsonaro, com a presença apenas do ministro da Economia, Paulo Guedes, e de sua mulher, Adriana de Oliveira Campos.
Campos Neto, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, foi um dos formuladores da política econômica do governo e integrou a equipe brasileira que foi ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em janeiro deste ano. Na última terça-feira (26), o economista passou por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, pela manhã, e teve o nome aprovado no colegiado. À noite também foi aprovado pelo plenário da Casa.
Durante a sabatina, Campos Neto defendeu a autonomia do Banco Central e afirmou que terá como foco estabilizar o poder de compra da população e assegurar um sistema financeiro sólido e eficiente.
Perfil
Nascido em 1969, Roberto de Oliveira Campos Neto é bacharel e mestre em economia pela Universidade da Califórnia. O novo presidente do BC tem longa trajetória no sistema financeiro, iniciou a carreira no Banco Bozano Simonsen e trabalhou no Banco Santander por vários anos.
Ele é neto do economista, diplomata e escritor Roberto Campos (1917-2001), defensor do liberalismo econômico, que participou do governo Juscelino Kubitschek e foi ministro do Planejamento do governo Castello Branco.
Competição
Campos Neto disse, que, apesar de o mercado bancário brasileiro ser concentrado, existe competição. Segundo Campos Neto, no Brasil não há mais concentração bancária do que em outros países, como Alemanha e Inglaterra.
De acordo com Campos Neto, apesar de haver competição, o spread (diferença entre taxa de captação do dinheiro pelos bancos e a cobrada dos clientes) ainda não é adequado. Ele afirmou que cerca de 35% do spread devem-se à inadimplência, 25% ao custo financeiro, 25% aos impostos e 15% ao lucro.
Sobre a inadimplência, o economista disse que um dos problemas atuais é a falta informação às instituições financeiras para melhorar a avaliação do cliente ao conceder o crédito. Ele defendeu a aprovação do Cadastro Positivo, em tramitação no Congresso, como forma de disseminar informação.
Segundo Campos Neto, depois da operação de crédito contratada, há problema com a recuperação dos recursos não pagos por inadimplentes. Ele disse que, a cada R$ 1, os bancos recuperam R$ 0,13, em quatro anos, enquanto, em países emergentes, recuperam-se 60% do prejuízo em cerca de um ano e meio.
Campos Neto também defendeu reformas para reduzir a burocracia, o incentivo à inovação tecnológica, ampliar o acesso das empresas ao mercado de capitais e a atuação de cooperativas de crédito.
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