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Política O efeito colateral da decisão de Lula que afeta a pena de Bolsonaro

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A gestão econômica do governo é considerada ótima ou boa por 32,2%, regular por 21,5% e ruim ou péssima por 43,4%. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O veto do presidente Lula ao projeto que altera a dosimetria das penas dos condenados pelos atos do 8 de Janeiro abriu uma nova frente de embate político em Brasília e, na avaliação de analistas, acabou produzindo um efeito colateral relevante: o isolamento do governo em relação ao centro e à direita no Congresso.

Em entrevista ao Ponto de Vista, o cientista político Adriano Cerqueira afirmou que, no aspecto legislativo, o projeto já cumpriu um papel de pacificação entre os principais grupos parlamentares. “O PL da Dosimetria, de certo modo, já pacificou os grupos de centro, centro-direita e direita no Congresso”, avaliou.

A proposta surgiu como alternativa a uma anistia ampla – defendida por setores mais radicalizados e acabou reunindo apoio expressivo de diferentes partidos, sendo aprovada por larga maioria. Para Cerqueira, isso demonstra que o tema do 8 de Janeiro, ao menos no Legislativo, já estava encaminhado. “O Congresso, como um todo, votou esse projeto com apoio significativo. Esse campo político está pacificado”, disse.

Segundo o analista, o veto presidencial deixou claro quem permanece em posição divergente. “Quem não está pacificada é a esquerda, a extrema esquerda e o próprio Lula com o PT”, afirmou. Na leitura de Cerqueira, o governo decidiu manter o tema na agenda como instrumento político, especialmente em um ano eleitoral.

A estratégia passa por reforçar o discurso da defesa da democracia e da oposição ao golpismo, ainda que isso amplie o atrito com outros setores. “O governo quer colocar na agenda eleitoral a pauta dos inimigos da democracia. Isso interessa mais à sua base ideológica”, analisou.

Evento

Cerqueira também comentou o ato promovido pelo presidente em defesa da democracia, que teve adesão concentrada em partidos e movimentos de esquerda. Para ele, o evento revelou o isolamento político do Planalto. “Foi um ato esvaziado, com pouca adesão popular e sem a presença dos presidentes da Câmara e do Senado”, disse.

Na avaliação do cientista político, a iniciativa teve menos o objetivo de construir consensos amplos e mais a função de reaproximar Lula de sua base eleitoral mais fiel. “A esquerda estava um pouco desgarrada. Esse tema serve para mobilizar esse público”, afirmou.

Impacto eleitoral

O veto ao PL da Dosimetria, segundo Cerqueira, contribuiu para afastar ainda mais o governo de outros grupos políticos relevantes. “Esse movimento isolou a Presidência e o PT em relação a setores que agora discutem uma adesão mais clara a chapas de oposição”, avaliou.

No horizonte, ele vê a reorganização do campo oposicionista, com diferentes hipóteses ainda em jogo desde uma candidatura de centro-direita até nomes ligados ao bolsonarismo. “O cenário segue aberto, mas o que está claro é que o veto reforçou a divisão e empurrou o debate para um confronto mais direto com o Lula”, concluiu.

Para o cientista político, a tentativa de pacificação institucional acabou se transformando em mais um elemento da polarização que deve marcar o caminho até as próximas eleições presidenciais. (Com informações do portal da revista Veja)

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