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Brasil O engenheiro que atestou a estabilidade de barragem em Minas Gerais disse ter sido pressionado pela mineradora Vale

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Parecer técnico da Agência Nacional de Mineração aponta que a mineradora não declarou todas as informações ao órgão. (Foto: Luiz Santana/ALMG)

Em depoimento à Polícia Federal, o engenheiro Makoto Namba alegou ter sido pressionado pela Vale para dar um laudo que garantia a estabilidade da barragem 1 da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), que se rompeu meses depois, numa tragédia que deixou pelo menos 150 mortos.

Namba trabalha para a companhia Tüv Süd e foi preso, junto de outras quatro pessoas, quatro dias após a tragédia. Eles tiveram sua soltura determinada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) na terça-feira (5).

Um funcionário da Vale teria interpelado o engenheiro, questionando-o: “A Tüv Süd vai assinar ou não a declaração de estabilidade?” Segundo o relatório da PF, Namba declarou ter sentido que a frase foi “uma maneira de pressionar o declarante e a Tüv Süd a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato.”

O engenheiro relatou à PF que assinaria o laudo de estabilidade se a Vale seguisse suas recomendações —foram 17 delas no documento, o maior número pelo menos desde 2006. O laudo citou problemas de erosão e drenagem da estrutura.

A Polícia Federal também questionou o engenheiro sobre uma troca de emails entre funcionários da Tüv Süd, da Vale e da empresa de tecnologia Tec Wise no dia 23 de janeiro (dois dias antes do rompimento) em que a mineradora era alertada sobre falhas em cinco piezômetros (instrumentos que medem a pressão do líquido sobre a estrutura).

Engenheiros ouvidos pela reportagem, no entanto, disseram que isso não necessariamente significa que a estrutura estava sob risco, já que barragens têm dezenas de piezômetros e é comum que alguns deles estejam inoperantes.

De acordo com o relatório, o delegado questionou Namba sobre o que faria se seu filho estivesse na barragem, ao que o engenheiro respondeu que “ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local bem como que ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do Paebm [Plano de Ações Emergenciais de Barragens de Mineração] para as providências cabíveis”, segundo o documento.

A defesa de Makoto Namba não quis comentar o depoimento. A Vale afirmou, via assessoria de imprensa, que colabora com as investigações e que não faria comentários sobre “particularidades” para preservar a apuração das causas do rompimento.

“Como maior interessada no esclarecimento das causas desse rompimento, além de materiais apreendidos, a Vale entregou voluntariamente documentos e e-mails, no segundo dia útil após o evento, para procuradores da República e delegado da Polícia Federal. A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades.”

A reportagem havia questionado a mineradora se houve fraude no laudo dos engenheiros, o que a empresa descartou. “A Vale acredita e confia na retidão de conduta e responsabilidade funcional dos renomados profissionais que contrata, todos integrantes de consultorias externas altamente especializadas, que emprestam seus conhecimentos técnicos sob uma premissa de confiança, baseada nos deveres de cautela, o mesmo se aplicando aos seus funcionários, com o que não acredita, minimamente, nessa possibilidade, que ao que tudo indica trata-se de uma especulação precipitada.” As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

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