Um levantamento do demógrafo José Eustáquio Alves, professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) do IBGE, em 531 dos 5.570 municípios brasileiros, o número de pessoas com 60 anos ou mais já supera o de menores de 15 anos. A maioria está nas regiões Sul e Sudeste. Niterói (RJ), Santos (SP) e São Caetano do Sul (SP) são as três cidades mais populosas que já permitem antecipar a realidade nacional prevista para 2031. Juntas, elas abrigam 224 mil idosos, bem mais que suas 178,5 mil crianças e adolescentes.
“Não há país que enriqueceu depois de envelhecer porque a força de trabalho encolhe”, diz. Uma forma de compensação seria aumentar a produtividade desse grupo mais enxuto. Ou seja: cada trabalhador brasileiro precisará produzir mais que a média atual para o país seguir elevando o PIB per capita. O problema, aponta o sociólogo especialista em políticas sociais Luis Henrique da Silva de Paiva, é que o crescimento da produtividade do trabalhador brasileiro tem sido historicamente muito baixo.
Solução
Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas, numa lista de 68 países, o empregado brasileiro é o 19° menos produtivo do mundo. “Nas décadas de 1970 e 1980, quando já sabíamos que íamos envelhecer, o Brasil deveria ter investido em educação e em treinamento para garantir o crescimento via aumento de produtividade no futuro. Mas perdemos essa janela”, diz o especialista em demografia Gustavo Naves Givisiez, da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Nas contas do ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Sergei Soares, quando a proporção de pessoas em idade ativa começar a cair, o Brasil poderá passar a crescer, em média, apenas 0,8% ao ano. “Vamos virar um Japão, só que de renda média e desigual”, diz, em referência à economia do país asiático, terceira maior economia mundial, que estagnou depois de envelhecer.
Outra consequência do envelhecimento acelerado da população é a redução do número de pessoas contribuindo para a Previdência com mais gente na outra ponta recebendo. Estimativas do coordenador de Seguridade Social do Ipea, Rogério Nagamine, mostram que, sem uma reforma que desestimule aposentadorias precoces, o percentual de brasileiros que recebem benefícios, incluindo pensão por morte ou de prestação continuada (destinada a idosos e deficientes) vai dobrar até 2060, passando de 15,2% em 2017 para 32% da população. Para o pesquisador, uma reforma poderia manter brasileiros por mais tempo no mercado de trabalho, diluindo o peso do envelhecimento sobre o crescimento econômico e garantindo a sustentabilidade do sistema previdenciário.


Os comentários estão desativados.