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Mundo O ex-espião russo envenenado no Reino Unido recebeu alta do hospital

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Skripal foi intoxicado por um agente nervoso altamente tóxico. (Foto: Reprodução)

O ex-espião russo Sergei Skripal, envenenado com uma substância neurotóxica no Reino Unido em março, recebeu alta do hospital após dois meses de internação, confirmou na sexta-feira (18) o serviço de saúde britânico. Londres atribui o ataque químico a Moscou, em um incidente que deteriorou as relações diplomáticas do Kremlin com o Ocidente. O agente nervoso Novichok foi desenvolvido na antiga União Soviética.

Horas depois do anúncio da alta, o presidente russo, Vladimir Putin, desejou “boa saúde” ao ex-espião. “Estamos felizes que Skripal esteja fora (do hospital) e desejamos a ele boa saúde. Se nossos colegas do Reino Unido estivessem certos sobre o uso de agente nervoso militar, ele teria morrido na hora”, destacou Putin, em entrevista coletiva.

Skripal, de 66 anos, foi encontrado inconsciente em um banco de rua, em 4 de março, na cidade britânica de Salisbury. Com ele, estava sua filha, Yulia Skripal, de 33, que também sofreu os efeitos do veneno e ficou internada até 10 de abril. Os dois foram levados ao hospital em estado crítico. “É fantástica a notícia que Sergei Skripal esteja bem o suficiente para deixar o Hospital do distrito de Salisbury”, ressaltou a chefe-executivo da unidade de saúde, Cara Charles-Barks, em comunicado.

Liberados dos cuidados médicos, pai e filha foram encaminhados a um local desconhecido por motivos de segurança. O ex-espião teria repassado informações delicadas sobre a Rússia a serviços de inteligência europeus anos antes de ele e a filha terem sido alvos de envenenamento no Reino Unido, segundo informações reveladas pelos jornais “The New York Times” e “The Guardian”.

O Reino Unido acusa a Rússia de estar por trás do ataque. Governos ocidentais, incluindo os Estados Unidos, expulsaram mais de 100 diplomatas do país de Vladimir Putin como represália. O Kremlin nega qualquer envolvimento com o caso.

Skripal trabalhou anos na espionagem militar russa, quando era coronel. Nos anos 1990, foi recrutado como agente duplo pelo serviço secreto britânico, fornecendo a identidade de dezenas de agentes secretos russos que operavam na Europa, assim como informações relativas aos militares russos e sua preparação para o combate. Descoberto e preso em 2004, ele passou a viver na Inglaterra depois que foi trocado por dez espiões russos capturados nos Estados Unidos, em 2010.

Caso Litvinenko

O Kremlin assegurou não ter “nenhuma informação” sobre o que aconteceu com o ex-espião. Mas as investigações sobre o envenenamento recordaram o caso Litvinenko, o ex-agente dos serviços secretos russos e opositor a Vladimir Putin envenenado em 2006 em Londres com polônio-210, uma substância radioativa extremamente tóxica.

Uma investigação realizada no Reino Unido apontou para as autoridades russas, concluindo que “provavelmente” Putin havia aprovado o assassinato do ex-espião. A acusação foi considerada uma piada pelo governo russo. No caso de Skripal, ele “não representava um perigo para a Federação da Rússia”, assegurou o ex-agente secreto e agora deputado Andrey Lugovoy, o qual a polícia britânica considera suspeito de ter envenenado Litvinenko junto com Dimitri Kovtun.

Citado pela agência Interfax, Dimitri Kovtun chegou a denunciar “uma provocação dos serviços secretos britânicos para desacreditar as autoridades russas”.

 

 

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