Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

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Brasil Alvo de operação da Polícia Federal, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, diz que nunca cometeu atos ilícitos

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Na avaliação de Blairo Maggi, há espaço para reduzir algumas rotinas dos auditores dentro dos frigoríficos. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Alvo de operação deflagrada pela PF (Polícia Federal) na manhã dessa quinta-feira, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, rechaçou as suspeitas de que teria atuado para tentar obstruir a Justiça e garantiu que jamais cometeu irregularidades.

“Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a Justiça”, disse Blairo Maggi , em nota. “Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas. Sempre respeitei o papel constitucional das instituições e deixo claro que usarei de todos os meios legais necessários para me defender e restabelecer a verdade dos fatos.”

O ministro é investigado em inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que apura crimes de lavagem de dinheiro e repasse de propina no Mato Grosso, estado do qual Maggi já foi governador. Vários endereços ligados ao titular da pasta foram vasculhados por policiais federais, incluindo o apartamento onde ele mora em Brasília, um escritório em Cuiabá (MT) e uma casa em Rondonópolis (MT).

O cumprimento dos mandados de busca e apreensão foi autorizado pelo ministro do STF Luiz Fux atendendo a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, segundo o qual Maggi praticou “atos que caracterizam obstrução de investigação criminal no bojo da Operação Ararath, a fim de que não fossem produzidas provas em seu desfavor”. Isso teria ocorrido no período de 2014 a 2017.

De acordo com a PGR, os suspeitos Eder de Moraes Dias e Eumar Novacki teriam combinado de “unificar as linhas de defesa” para não implicar o ministro, logo após a deflagração da primeira fase da força-tarefa, em 2013. Na época, “foram encontrados diversos documentos que implicavam direta e indiretamente Blairo Maggi”, segundo Janot.

Eles também teriam solicitado ao colaborador Gércio Marcelino Mendonça Junior que “não mencionasse nada a respeito da pessoa de Blairo Maggi em seus depoimentos, com o objetivo claro de blindá-lo de quaisquer acusações”. A acusação foi corroborada pelos depoimentos do ex-governador mato-grossense Silval Barbosa (que firmou acordo de delação premiada), além do próprio Gércio e de Genir Martelli.

Em sua defesa, Maggi negou que Eder de Moraes, que foi seu secretário no Governo do MT, tenha recebido valores para poupá-lo nas investigações da Operação Ararath. “Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja mudanças de versões em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim ao então secretário Eder para acobertar qualquer ato, conforme diz de forma mentirosa Silval”, disse o ministro.

Indícios de crimes

Ao autorizar o cumprimento dos mandados judiciais, o ministro do Supremo Luiz Fux afirmou que são “veementes os indícios quanto ao cometimento do crime de obstrução de investigação de crimes de organização criminosa por parte de Blairo Borges Maggi” e por outros cinco investigados – que também foram alvos da operação de hoje.

Fux autorizou até mesmo buscas em carros estacionados nos endereços dos investigados e liberou a apreensão de valores em dinheiro, e de “documentos de qualquer natureza e livros contábeis, formais ou informais, recibos, agendas, ordens de pagamento e quaisquer outros elementos de prova”.

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