Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 9 de novembro de 2017
Num depoimento com tom mais ameno, o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) pediu desculpas nessa quarta-feira (8) ao juiz Marcelo Bretas pela discussão durante interrogatório há duas semanas em audiência. Em interrogatório em ação penal em que é acusado por desvios no setor de saúde, ele negou também ter determinado a fabricação de dossiês contra o magistrado.
“Jamais faria isso. Acredite na minha índole. É um factoide, um terrorismo feito por alguém maldosamente”, disse Cabral. O peemedebista também disse que foi “infeliz nas colocações” feitas no último interrogatório. Na ocasião, Cabral mencionou a família de Bretas e disse que o juiz estava usando os processos para se promover.
“Me exaltei e peço desculpa naquela discussão”, disse o ex-governador. “Está superado. […] Não espero que você chegue aqui feliz da vida. O que não afasta o respeito que deve haver, em relação a partir de mim e vice versa”, disse Bretas.
O peemedebista voltou a negar ter recebido propina por contratos na Secretaria de Saúde. Reconheceu mais uma vez que fez uso pessoais de “sobras de campanha de caixa dois”.
Transferência para um presídio federal
O depoimento do ex-governador ao juiz Marcelo Bretas foi o primeiro após o magistrado determinar a transferência de Cabral para um presídio federal. A ordem foi derrubada por liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Também nessa quarta-feira (8), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu a transferência de Cabral para presídio federal. Em parecer enviado ao STF, Dodge afirmou que “a transferência atende aos requisitos legais e deve ser mantida, como forma de evitar que Cabral exerça sua condição de líder de organização criminosa, com força política e poder de influência no Rio, para obter e gozar de benefícios indevidos e receber informações privilegiadas aptas a causar embaraço ou ameaça às autoridades”.
Esse parecer de Raquel Dodge ainda vai ser analisado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que a decisão anterior, de Gilmar Mendes, que está em vigor atualmente, foi em caráter liminar.
Cinema
A televisão de 65 polegadas, que seria o “cineminha” de Sérgio Cabral na prisão, além dos aparelhos de som e de DVD, e 71 filmes foram doados para o orfanato Casa do Menor São Miguel Arcanjo, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no início do mês.
O MP (Ministério Público) está investigando as mordomias e as irregularidades na doação dos equipamentos que seriam usados na instalação de uma sala de cinema na cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. É lá onde estão presos o ex-governador Sérgio Cabral e outros envolvidos na Operação Lava-Jato.
Segundo o MP, o presídio tem “tratamento diferenciado e desproporcional se comparado com outras unidades prisionais do Estado do Rio”.
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