Terça-feira, 04 de Agosto de 2020

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Brasil O ex-ministro Antonio Palocci diz que “praticamente todos” os órgãos da gestão Lula foram divididos com o objetivo de arrecadação

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Palocci deu as declarações em sua delação premiada. (Foto: Agência Brasil)

Em um vídeo inédito de sua delação premiada assinada com a PF (Polícia Federal) e homologada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, o ex-ministro Antonio Palocci apresenta detalhes de como o governo do ex-presidente Lula loteou os órgãos da administração pública com o objetivo de arrecadar recursos para os partidos da base do governo – e às vezes até mesmo para a oposição. Segundo ele, somente alguns órgãos considerados “sensíveis” ficaram de fora do esquema ilícito, como o Banco Central.

O relato faz parte de um dos anexos da sua delação, que aborda uma “organização criminosa” relacionada ao PT. O partido nega as acusações e afirma, em nota, que a farsa foi denunciada nos autos e comprovada pelas mensagens vazadas dos procuradores no Telegram.

Ex-ministro da Fazenda no governo Lula e homem da estrita confiança do ex-presidente, fundador do PT em Ribeirão Preto em 1980, Palocci começa o seu depoimento relatando que o partido cometia ilícitos pontuais, mas que os desvios se tornaram “sistemáticos” após a chegada de Lula ao Palácio do Planalto, com o objetivo de consolidar a hegemonia política do PT.

Os ilícitos da organização do PT vêm de antes da eleição, mas eles se tornam sistemáticos, mais determinados e organizados a partir da posse do ex-presidente Lula. Na verdade, partem da visão de que, uma vez o PT tendo conquistado o governo federal, deveria montar máquinas políticas e financeiras capazes de enfrentar as outras forças políticas e estabelecer uma hegemonia do PT e de seus aliados na política brasileira, segundo Palocci.

Dilma

A ex-presidente Dilma Rousseff rechaçou as informações contidas na delação premiada de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda no governo Lula e da Casa Civil no próprio governo Dilma, que resultaram na operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal desta quinta-feira, de busca e apreensão na sede do banco BTG Pactual, em São Paulo. A ação faz parte da operação “Estrela Cadente”, que investiga vazamentos de resultados da taxa básica de reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) entre os anos de 2010 e 2012.

“Não há provas que atestem a veracidade das informações prestadas pelo senhor Antonio Palocci à Polícia Federal. Ele mentiu e a imprensa continua a veicular suas acusações de maneira leviana”, afirmou Dilma, em comunicado. De acordo com a nota, não há provas que atestem que Dilma sabia ou tivesse autorizado o BTG Pactual a ter acesso a quaisquer informações sigilosas no âmbito do governo federal, inclusive relativas às informações do Copom.

Dilma, que esteve na Presidência de janeiro de 2011 a agosto de 2016, período que inclui parte da investigação da Polícia Federal, disse ainda, na nota, que “presidentes da República jamais participaram, atuaram ou interfeririam em reuniões do Copom ou do Banco Central”. A ex-presidente ainda afirma que o vazamento ocorre justamente quando pesam indícios de abusos e irregularidades cometidas por autoridades do Judiciário.

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