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Brasil O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo disse que se tivesse influência no Supremo, como dizem os delatores, a Dilma não teria perdido a presidência da República

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Cardozo disse ter sido vítima de uma tentativa de armação. (Foto: EFE)

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo disse a advogados que os delatores da Lava jato, Joesley Batista e Ricardo Saud, do grupo JBS, teriam tentado uma armação para colocá-lo na cadeia. “Queriam me dar um flagrante e por na cadeia”, teria dito Cardozo a amigos.

Nas novas gravações da JBS, Joesley e Saud conversaram sobre um plano para utilizar a influência de Cardozo junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) para implicar ministros da Corte em irregularidades. “Se tivesse ministros do Supremo no bolso, a presidente Dilma (Rousseff) ainda estaria no cargo”, teria dito Cardozo. Ele foi responsável pela defesa de Dilma Rousseff no processo que resultou no impeachment da presidente.

Segundo interlocutores, Cardozo teria sido procurado uma única vez por Joesley e Saud. Na ocasião eles teriam tentando contratar os serviços do seu escritório de advocacia por R$ 1 milhão. “Se tivesse aceito estaria preso”, teria dito o ex-ministro a um amigo, segundo matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo.

Cardozo não teria desconfiado do assédio dos executivos da JBS

Cardozo também teria comentado que inicialmente não teria desconfiado do assédio feito pelos executivos da JBS, percebendo apenas posteriormente que o objetivo de Joesley e Saud era incriminá-lo. A partir daí, os delatores teriam acesso a ministros do STF com quem Cardozo mantém algum tipo de relação e, assim, conseguir vantagens junto a Corte. A armação seria de conhecimento de Rodrigo Miller, ex-auxiliar do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O petista disse a advogados considerar que toda a delação ficou comprometida e as provas apresentadas devem ser consideradas nulas pela Justiça, inclusive a gravação na qual Joesley conversa com o presidente Michel Temer, devido à participação de Marcelo Miller no caso.

Braço-direito

Na conversa, Saud comenta como Marcelo Miller, que foi braço-direito de Rodrigo Janot no Ministério Público, está atuando para “tranquilizar” os delatores e relata que a tática para se aproximar e conquistar a confiança do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é “chamar todo mundo de bandido”. “Cara, eu vou te contar um negócio, sério mesmo. Nós somos do serviço, né? (A gente) vai acabar virando amigo desse Ministério Público, você vai ver. Nóis vai virar amigo desse Janot. Nóis vai virar funcionário desse Janot. (risos). Nós vai falar a língua deles. Você sabe o que que é?”, questiona Joesley.

“A língua… domina o País… dominar o País”, completa Saud. Na sequência, Joesley dá a deixa: “Você quer conquistar o Marcelo? Você já achou o jeito. Cê quer conquistar o Marcelo? Você já achou o jeito. É só começar a chamar esse povo de bandido. Esses vagabundo bandido, assim”. (AE)

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