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Política O ex-ministro Sérgio Moro disse que faltou empenho do governo no combate à corrupção

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Moro disse que o presidente tem feito alianças políticas ‘questionáveis’. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disse que faltou apoio do presidente Jair Bolsonaro no combate à corrupção. A declaração foi feita em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, na noite deste domingo (24).

“Me desculpe aqui aos seguidores do presidente se essa é uma agenda inconveniente, mas essa agenda contra a corrupção não teve um impulso por parte do presidente da República”, disse Moro após reafirmar a disposição do presidente em interferir politicamente na Polícia Federal. O ex-ministro também afirmou que Bolsonaro externou publicamente, diversas vezes, preocupação com os filhos.

Ele também disse que o presidente tem feito alianças políticas ‘questionáveis’, em referência ao movimento de aproximação e distribuição de cargos aos partidos do bloco político chamado Centrão, conhecido pelo pragmatismo na adesão aos governos de situação, independente da orientação política. A mudança de estratégia do governo é vista como uma tentativa de blindar o presidente no caso de uma eventual abertura de processo de impeachment no Congresso.

Moro também afirmou que se manteve fiel aos seus princípios durante a gestão como ministro da Justiça e que não teve intenção de prejudicar o governo ao anunciar sua saída. “Acho que a minha lealdade ao presidente demanda que eu me posicione com a verdade, com o que eu penso e não apenas concordando com a posição do presidente. Se for assim, não precisa de um ministro, mas de precisa de um papagaio”, disparou.

Questionado sobre a postura defensiva adotada na reunião ministerial de 22 de abril, tornada pública na última sexta por decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), Moro disse que não cabia discutir as declarações do presidente sobre os pedidos de troca na segurança ‘pelo próprio do tom da reunião’. “É muito claro que o contraditório não é algo fácil de ser realizado na ocasião. Essas situações me geraram absoluto desconforto”, relembrou ele.

O ex-juiz federal, que ganhou notoriedade por sua atuação no julgamento de processos oriundos da operação Lava Jato, em Curitiba, deixou o governo há exatamente um mês, no dia 24 de abril, alegando como motivação para a demissão suposta tentativa de interferência de Bolsonaro na Polícia Federal. As alegações do ministro motivaram a abertura de um inquérito contra o presidente no STF.

Depois de recuar em uma primeira tentativa de trocar o comando da corporação, em novembro do ano passado, o presidente voltou a insistir na substituição mês passado. À revelia de Moro, o delegado Maurício Valeixo foi exonerado para que Rolando Alexandre de Souza assumisse a direção da PF. Isso depois que a primeira indicação de Bolsonaro, o comandante da Associação Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal.

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