Domingo, 16 de agosto de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
19°
Thunder

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Notícias O ex-procurador da República que trocou a força-tarefa da Operação Lava-Jato em Brasília pelo escritório de advocacia que atende a JBS/Friboi deixou a banca

Compartilhe esta notícia:

Marcello Miller (Foto: Reprodução)

O ex-procurador Marcello Miller teve o contrato com o escritório Trench Rossi Watanabe oficialmente rompido nesta sexta-feira. De acordo com a assessoria da banca, ele “não faz mais parte do escritório, após decisão conjunta”. A informação foi confirmada pela assessoria de Miller, que não divulgou seus planos para o futuro.

Na última semana, o ex-procurador foi alvo de discurso do presidente Michel Temer, que apontou eventual conflito de interesses no fato de ele ter advogado para a J&F logo depois de deixar o Ministério Público. Na época, o presidente insinuou que parte dos honorários de Miller poderia ter sido endereçados ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Miller evitou rebater publicamente o presidente. O jornal “Folha de S. Paulo” informou que no escritório recebia pagamento mensal de R$ 25 mil, com expectativa de alcançar R$ 110 mil quando ocorresse o pagamento de bônus.

Em discurso, Temer chegou a dizer que o ex-procurador teria ganhado “milhões, em poucos meses, que levaria décadas para poupar,” como funcionário a serviço da J&F. O presidente também afirmou que Miller deveria ter cumprido quarentena “de dois ou três meses”, restrição inexistente.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Miller não negociou a colaboração premiada dos executivos da J&F, que resultou no perdão judicial de Joesley Batista. Seu escritório atuou nas primeiras tratativas do acordo de leniência com o MPF do Distrito Federal e foi afastado do caso ao final da negociação, em função de uma divergência em torno do valor de multa a ser paga.

Por meio de nota divulgada na época, o escritório Trench Rossi Watanabe repetiu as informações divulgada pela PGR, dando conta de que “não participou do processo de colaboração premiada dos executivos da JBS”.

A banca também reforçou ter se retirado das negociações das negociações do acordo de leniência do Grupo J&F — processo que corre paralelamente à negociação de acordo de delação premiada —antes que fosse concluída. “O escritório reforça que sempre guiou e guiará suas atividades pelo respeito à ética”, informou a empresa. A OAB-RJ abriu um procedimento para apurar a conduta do ex-procurador.

Atuação nos EUA

O Trench Rossi Watanabe atua no Brasil em cooperação com o escritório norte-americano Baker McKenzie, o mesmo que atende aos interesses do grupo J&F nos Estados Unidos. Miller solicitou a exoneração do cargo de procurador da República em fevereiro deste ano, medida que foi efetivada em abril. Ele integrou a Assessoria Criminal do procurador-geral da República de setembro de 2013 a maio de 2015, mês em que passou a atuar na Lava-Jato.

Enquanto procurador, Miller foi um dos principais nomes da força-tarefa da Lava Jato na interlocução com as autoridades americanas. Este seria um dos motivos de sua contratação pelo escritório, que passou a ter que lidar com a Lava-Jato em função da decisão do grupo J&F de colaborar com a Justiça no Brasil e evitar impactos relevantes em seus negócios nos EUA.

Quando sentou-se à mesa para participar das negociações do acordo de leniência da JBS, procuradores que representavam o MPF na negociação pediram a ele que se afastasse do caso para evitar eventual conflito de interesses.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Notícias

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

“Eu aprendi em casa a ser leal”, diz Maia
Para ministro tucano, PSDB ataca Temer em “ocasião inoportuna”
Pode te interessar