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Brasil O gasto com diárias da Força Nacional aumentou 81% em 2017: Para especialistas, o uso da tropa é político e de resultado duvidoso

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O governo gastou 38,7 milhões de reais no primeiro trimestre. (Foto: Rodrigo Ziebell/SSP)

O governo federal gastou 38,7 milhões de reais com diárias para integrantes da Força Nacional de Segurança Pública no primeiro trimestre deste ano – 80,9% a mais que no mesmo período de 2016, quando foram pagos 21 milhões de reais, segundo dados levantados pelo jornal O Globo no Siga Brasil. Além da renovação de operações antigas, como na região da hidrelétrica de Belo Monte, o Ministério da Justiça e Cidadania iniciou 11 novas mobilizações em 2017 – quase uma por semana. Ao longo de todo o ano passado, foram deflagradas 19 ações.

Por ano, as operações da Força ocupam cerca de 1.500 homens, segundo o Ministério da Justiça. A exceção é 2016, quando seis mil integrantes foram demandados somente nas Olimpíadas e o valor de diárias pagas foi o maior desde a criação da Força: 280,4 milhões de reais. Em 2017, porém, o Ministério da Justiça pretende gastar 475,9 milhões de reais.

Foi decisão do ex-ministro da Justiça Alexandre de Moraes, hoje ministro do STF, fortalecer a Força Nacional. Ele mudou inclusive as regras de ingresso no órgão, permitindo a presença de ex-militares, para não faltar efetivo.

Um dos motivos para a escalada é a crise na segurança dos estados, que sofrem para pagar salários de policiais e manter sua máquina funcionando. Segundo especialistas, no entanto, a falta de critérios na liberação da tropa de elite, criada para atuar só em situações críticas, e o uso político das operações resultam em despesas com resultados duvidosos no combate à violência.
Para o sociólogo Arthur Trindade, professor da Universidade de Brasília e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, a Força Nacional tem um “efeito band-aid”.

Ele reconhece os resultados em certas circunstâncias, como em áreas indígenas que passam por conflitos, mas considera que na maioria das vezes o envio dos homens serve apenas como demonstração de ação por parte das autoridades. “Do ponto de vista prático da segurança, não faz muita diferença. Do ponto de vista político é bom para quem envia e para quem recebe a Força”, disse. (Renata Mariz/AG)

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