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Por Redação O Sul | 23 de fevereiro de 2019
Em janeiro, primeiro mês do novo governo federal, o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno , negou ser um “guru” de Jair Bolsonaro. “O último já foi até em cana, o João de Deus”, ironizava. Mas a julgar pela sua disputada agenda, ele ainda é visto com esse status diferenciado por interlocutores do setor público e privado, que o buscam como um caminho confiável de acesso ao Palácio do Planalto.
Enquanto parlamentares se queixam que os titulares da Secretaria de Governo (o também general Santos Cruz) e Casa Civil (Onyx Lorenzoni) não têm poder de barganha e nem conseguem cumprir o que prometem, o paranaense Heleno, 71 anos e na reserva desde 2011, está longe de sofrer tal desprestígio.
De acordo com fontes ligadas aos bastidores do primeiro escalão federal em Brasília, interlocutores já preferem procurar Augusto Heleno a discutir temas técnicos diretamente com o próprio presidente da República – até porque é a partir dos conselhos desse general que se forma a opinião de Bolsonaro sobre parte dos assuntos de governo.
A agenda do chefe do GSI é disputada por políticos e pelo setor privado. Em seu gabinete, as visitas mais recentes incluem representantes de entidades patronais como Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação).
Segundo pessoas próximas ao general, a maioria das solicitações partem de empresários e representantes corporativos. Devido à natureza de sua pasta (que cuida da segurança de fronteiras e relações exteriores na área de segurança, dentro outros tópicos), ele também já se encontrou com os embaixadores de Israel, China, Espanha, França e República Dominicana.
Elogios de deputados e senadores
“Pela formação militar, o general Augusto Heleno é muito prático e objetivo”, elogia o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado e que esteve com o ministro há uma semana. “É isso que a gente espera da política: respostas prontas, sim ou não. E os despachos com ele sempre duram cinco minutos, é ‘papo-reto’ e vamos embora.”
No fim de janeiro, o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) no Congresso Nacional, esteve no gabinete do GSI, acompanhado da ministra Tereza Cristina (Agricultura), e também faz uma avaliação positiva:
“Trata-se de uma pessoa com grande grau de influência na estrutura interna do governo e uma enorme capacidade de fazer consensos, inclusive pela sua capacidade intelectual e conhecimento sobre diversos temas. Ele nos recebeu com carinho, extrema educação, muita atenção àquilo que ouve e uma capacidade bastante clara de selecionar o que realmente é interessante.”
A também deputada Bia Kicis (PSL-DF), advogada e militante de pautas conservadoras, menciona uma conversa reservada com Heleno. “Ele é muito sério e goza da total confiança do presidente Bolsonaro”, ressalta. “Quando a gente tem alguma coisa pra conversar e que demande a intermediação de uma pessoa confiável, ele é uma excelente opção”.
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