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Brasil O general que comandará o Ministério da Segurança Pública é um defensor do uso da força para promover a paz

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General publicou texto em que critica decisão do Exército de não punir Pazuello por participar de ato político com Bolsonaro. (Foto: Agência Brasil)

Escolhido por Sérgio Moro para comandar o Ministério da Segurança Pública , o general Carlos Alberto dos Santos Cruz diz que, para garantir a paz e os direitos humanos, é preciso usar a força quando necessário. Em um relatório feito a pedido da ONU (Organização das Nações Unidas) para analisar o motivo das mortes e ferimentos dos integrantes das forças de paz que atuam ao redor do mundo, ele afirmou que a “manutenção da paz é uma atividade arriscada” e foi taxativo ao afirmar que é preciso usar a força quando necessário.

“Infelizmente, as forças hostis não entendem uma linguagem diferente da força. Para deter e repelir ataques e derrotar os atacantes, as Nações Unidas precisam ser fortes e não ter medo de usar a força quando necessário”, escreveu Cruz, que atuou como consultor da ONU e presidiu a investigação, junto com mais dois autores.

Antes de atuar como consultor da ONU, Cruz comandou as forças de paz no Congo. Foi a primeira missão internacional a ter autorização do Conselho das Nações Unidas para tomar a iniciativa de desarmar e desmobilizar grupos rebeldes e milícias que atacavam civis no país africano. Ou seja, com autorização para atacar antes de qualquer ataque.

Quando foi convidado a comandar a missão no Congo, o general já estava na reserva, mas aceitou a missão. Antes do Congo, ele já havia atuado na missão de paz no Haiti, de 2006 a 2009.

O general brasileiro chegou ao Congo em 2013 e encontrou mais de 200 grupos rebeldes armados. As forças de paz da ONU já estavam no país caribenho há 14 anos – haviam desembarcado em 1999 – e recebiam críticas pela falta de resultado.

Cruz foi o personagem central do documentário “O Congo e o general”, feito pela TV Al Jazeera, que mostrou a atuação do brasileiro no Congo, então varrido por armas e violência. Com mandato para usar a força contra para conter a violência das milícias locais e impedir que migrassem para países vizinhos, o general conseguiu neutralizar grupos rebeldes importantes, como M-23. Acabou tendo sua permanência no país prorrogada e ficou até dezembro de 2015.

No documentário da Al Jazeera, o general frisou que era preciso promover os direitos humanos “até por meio da força” e reconheceu que, entre o sucesso e o desastre há uma linha tênue. “Nós precisamos proteger os direitos humanos, até mesmo por meio da força. Esse é o nosso papel. Trazer a paz, usando a força se necessário”, afirmou.

Cruz comandou mais de 20 mil militares de 50 países e chegou ao Congo quando a violência alcançava níveis insuportáveis, com milhares de casos de estupro e violência extrema – civis eram mortos e decapitados e os rebeldes circulavam pelas vilas com as cabeças espetadas em pedaços de pau. “Vamos proteger os civis eliminando, neutralizando as ameaças. Nós vamos até as ameaças”, declarou à Al Jazeera.

Do quartel general em Goma, Cruz tornou as tropas da ONU operacionais e usou setores de inteligência para antecipar ataques a civis e tecnologia, com drones desarmados de observação de áreas de risco. Quando assumiu o posto, as próprias forças militares congolesas eram acusadas de cometer abusos contra os civis. Na linha de frente das tropas, conhecidas como boinas azuis, estava a Brigada de Intervenção, com cerca de 3 mil homens da África do Sul, Tanzânia e Malaui.

Linha-de-frente

O general é conhecido por não ficar apenas na retaguarda. A sua fama é de atuar na linha-de-frente, muitas vezes junto com os soldados. Em 2015, no Norte do Congo, o helicóptero onde estava foi atingido por tiros de grupos rebeldes e o tanque de combustível foi furado. O piloto conseguiu pousar o helicóptero e todos sobreviveram. Num bate-papo com internautas, promovido pelo Ministério da Defesa em 2014, Cruz afirmou que adota a postura para avaliar o risco efetivo de sua tropa.

“Você não pode ser irresponsável nem inconsequente, mas você tem que, no mínimo, ser capaz de fazer aquilo que você está exigindo que os seus subordinados façam”, disse. No documentário da Al Jazeera, o general brasileiro ressaltou que a liberdade para agir e se antecipar a ação das milícias armadas tinha de ser acompanhada do respeito aos direitos humanos: “Nossa motivação aqui é psicológica. Fazemos as coisas só pelas pessoas”.

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