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Mundo O governo brasileiro decidiu adotar uma estratégia de contenção diante dos ataques do presidente da Argentina

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A decisão de ignorar Milei está inserida em um contexto mais amplo, que envolve também a relação do Brasil com os Estados Unidos e o governo de Donald Trump. (Foto: Reprodução)

O governo brasileiro decidiu adotar uma estratégia de contenção diante dos reiterados ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi apurada pela analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, ao Bastidores CNN.

A decisão de ignorar Milei está inserida em um contexto mais amplo, que envolve também a relação do Brasil com os Estados Unidos e o governo de Donald Trump.

Segundo apuração da CNN, a equipe de Lula entende que qualquer tipo de resposta ao presidente argentino deve ficar nas mãos da diplomacia brasileira, especialmente do chanceler Mauro Vieira, que concedeu entrevista no fim de semana rebatendo os ataques de Milei e afirmando que eles precisam cessar.

A lógica da estratégia é desacoplar a atuação política de Lula do embate com Milei. O objetivo é preservar a imagem de Lula como um líder respeitado no cenário internacional, que mantém diálogo direto com Donald Trump, ao mesmo tempo em que se evita alimentar o confronto com o presidente argentino.

Auxiliares de Lula avaliam que Milei utiliza a figura do presidente brasileiro para obter projeção internacional, e que a melhor resposta é esvaziar essa estratégia, deixando-o “falando sozinho”.

Dentro do governo brasileiro, há um entendimento de que as relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Argentina estão preservadas. O que existe, na avaliação dos auxiliares de Lula, é um jogo político de Milei, que busca usar o confronto com Lula para se projetar internacionalmente.

A estratégia brasileira é, portanto, fazer uma distinção clara entre a relação pessoal Lula-Milei e a relação institucional entre os dois países.

Relações bilaterais

O chanceler brasileiro Mauro Vieira disse em entrevista ao jornal argentino Clarín que a normalização das relações bilaterais entre Brasil e Argentina depende da interrupção das “agressões verbais e recorrentes do presidente argentino, Javier Milei, direcionadas ao Brasil, às suas instituições e ao responsável pela Suprema Corte brasileira”.

Vieira enfatizou que a relação histórica e comercial entre as duas nações é primordial e superior a quem estiver no poder em qualquer momento.

As declarações foram dadas em Cali, na Colômbia, onde o principal diplomata brasileiro liderou a delegação brasileira na cerimônia de posse do presidente Abelardo de La Espriella na sexta-feira (7).

Mauro Vieira também classificou como “totalmente falsas” e “invenções” as alegações do presidente argentino de que o Brasil teria financiado de forma bilionária a campanha do candidato presidencial Sergio Massa, esclarecendo que as visitas de Massa ao Brasil ocorreram no âmbito de funções estritas do Ministério da Economia.

O chanceler também falou sobre as tensões nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos. Segundo Vieira, a escalada aconteceu depois que os Estados Unidos “descumpriram a Convenção de Viena ao realizar uma consulta ao governo brasileiro de forma pública sobre seu candidato a embaixador no Brasil”, após passarem mais de um ano e meio sem representação no país.

Diante da demora brasileira em conceder o agrément, Washington suspendeu o visto da embaixadora do Brasil como medida de pressão. O chanceler destaca que essa pressão ocorreu em meio a comentários do Departamento de Estado sobre o sistema eleitoral brasileiro e pedidos de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O chanceler enfatizou que a suspensão do visto de Maria Luiza Viotti, embaixadora do Brasil nos EUA, foi uma forma de pressionar pela aceitação do candidato do governo Trump, Daniel Perez. No entanto, Vieira disse que o pedido para a concessão do agrément foi sequer encaminhado ao presidente Lula. “Ele (Lula) está muito ocupado a dois meses da eleição”. As informações são da CNN.

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