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Brasil O governo brasileiro fechou sete embaixadas na África e no Caribe

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O decreto foi assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (E) e pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo (D). (Foto: Alan Santos/PR)

Em decreto publicado no Diário Oficial da União (DOU) dessa quinta-feira (14), o governo brasileiro fechou sete embaixadas em países da África e do Caribe, criadas entre os anos de 2008 e 2010.

Assinado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, e pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o Decreto nº 10.348 anunciou o fechamento das representações diplomáticas africanas de Freetown, em Serra Leoa, e da Monróvia, na Libéria, que serão exercidas cumulativamente pela unidade na cidade de Acra, em Gana.

Já no Caribe, as embaixadas em Saint John’s (Antígua e Barbuda), em Roseau (Dominica), em Saint George (Granada), em Basseterre (São Cristóvão e Névis), e em Kingstown (São Vicente e Granadinas) terão seu atendimento unificado pela representação diplomática do Brasil em Bridgetown, em Barbados.

O decreto não há detalhes de como será feita essa integração entre as unidades. “O Ministério das Relações Exteriores adotará as medidas administrativas necessárias ao cumprimento do disposto neste Decreto”, apenas informa o DOU.

Envio de notícias

O Itamaraty suspendeu, por determinação do ministro Ernesto Araújo, o envio de notícias veiculadas na imprensa nacional aos postos diplomáticos no exterior para subsidiar o trabalho dos diplomatas brasileiros, afirmaram à Reuters duas fontes com conhecimento do assunto.

O trabalho, feito diariamente pela assessoria de imprensa do órgão, servia para auxiliar os diplomatas no exterior com as informações sobre o que ocorre no Brasil. Desde a semana passada, o chamado clipping só é feito com notícias de veículos internacionais que trabalham no Brasil.

De acordo com uma das fontes, não foi dada qualquer explicação aos diplomatas quando o material deixou de chegar aos postos no exterior.

“Agora temos que trabalhar sem as informações publicadas pela imprensa brasileira. Só nos chega o clipping de publicações estrangeiras”, afirmou.

Os postos diplomáticos têm verba específica para assinatura de jornais do local onde estão localizados, mas não de jornais brasileiros.

A razão por trás da decisão, segundo uma das fontes, seria a insatisfação do chanceler Ernesto Araújo com a cobertura dos veículos brasileiros sobre a política externa encabeçada pelo ministro. A gota d’água teria sido o artigo assinado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os ex-chanceleres Aloysio Nunes Ferreira, Celso Amorim, Celso Lafer, Francisco Rezek e José Serra, o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero e o ex-secretário especial de Assuntos Estratégicos da Presidência, Hussein Kalou, publicado pelos grandes jornais brasileiros.

No texto, os autores dizem estar preocupados com “a sistemática violação pela atual política externa dos princípios orientadores das relações internacionais do Brasil” definidos na Constituição, a subserviência aos Estados Unidos e o que chamam de custos de difícil reparação à imagem brasileira, com “desmoronamento da credibilidade externa, perdas de mercados e fuga de investimentos.”

Araújo foi às redes sociais para responder o artigo, mostrando estar irritado. Em duas séries de mais de uma dezena de posts, chamou o ex-presidente e os ex-ministros de “paladinos da hipocrisia” e “figuras menores” que deveriam aprender com o atual governo como se defende a Constituição.

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