Sábado, 03 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de janeiro de 2018
O governo da Venezuela confirmou nessa sexta-feira que o brasileiro Jonatan Diniz, 31 anos, está preso no país. Ele é acusado de participar de um grupo que ajuda comunidades carentes com alimentos e bens na Venezuela. Para o governo, a entidade seria uma “organização criminosa com tentáculos internacionais”.
Diniz, preso em 28 de dezembro na Venezuela, foi acusado publicamente por Diosdado Cabello, membro da Assembleia Nacional Constituinte e figura de peso dentro do chavismo, de promover atividades contra o governo Nicolás Maduro. Segundo fontes brasileiras, Diniz está detido na sede central do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência), em Caracas. Esse foi o primeiro lugar onde as autoridades diplomáticas brasileiras procuraram Diniz, mas num primeiro momento agentes do Sebin negaram que ele estivesse no local.
“Já sabemos onde ele está e enviamos a documentação solicitada pela chancelaria venezuelana. Estamos pedindo autorização para realizar uma visita consular, mas ainda não foi concedida”, informou a fonte, que pediu para não ser identificada.
Segundo ela, o governo venezuelano só confirmou o lugar onde Jonatan está detido após uma solicitação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Na última quinta-feira, o Itamaraty afirmara em nota que as autoridades da Venezuela ainda não haviam passado informações sobre a situação do brasileiro. A informação sobre a detenção de Jonatan na sede central do Sebin foi dada às autoridades brasileiras após a divulgação do comunicado do Itamaraty.
“Nos disseram que ele está bem, mas estamos pedindo para realizar uma visita”, assegurou a fonte brasileira. Em nota posterior, o Itamaraty afirmou que o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela confirmou que Jonatan “encontra-se em bom estado de saúde, detido em instalação de órgão de segurança local”. O ministério disse que a embaixada do Brasil em Caracas reforçou um pedido para realizar uma visita ao brasileiro, “o que poderia ocorrer nas próximas horas”.
O governo Maduro ainda não comunicou oficialmente qual é a acusação contra Diniz. O brasileiro mora nos Estados Unidos e viajou ao país sul-americano para fazer trabalhos de caridade.O número 2 do chavismo, Diosdado Cabello, disse publicamente que ele dirigia uma ONG chamada Time to Change the Earth, que serviria de fachada para promover atividades contra o regime nas redes sociais e nas ruas da Venezuela.
Segundo o governo, a organização entregaria alimentos e itens básicos a moradores de rua para, na verdade, obter financiamento em moeda nacional e estrangeira para grupos que o governo venezuelano classifica de terroristas. Ele seria parte ainda do grupo “Warriors of Angels” (“Guerreiros dos Anjos”, em português) e estaria sendo punido por publicar na internet imagens dos protestos contra o regime de Maduro, que tomaram as ruas da Venezuela por vários meses neste ano.
Cabello sugeriu que a CIA poderia estar envolvida nas supostas atividades do brasileiro contra o regime, com o objetivo de “identificar objetivos estratégicos e financiar terroristas”. Segundo a autoridade, que é também membro da Assembleia Constituinte de Maduro e vice-presidente do governista Partido Socialista Unido da Venezuela, na operação de detenção os policiais apreenderam 40 camisetas e bonés de cor vermelhas, identificadas com o nome da ONG Time of Change the Earth.
O governo Maduro é frequentemente acusado de perseguir aqueles que se expressam contra o seu regime, incluindo quem regulamente publique conteúdos críticos à hegemonia chavista nas redes sociais. O Itamaraty informou que presta auxílio à família de Diniz.
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