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Brasil O governo federal avalia acabar com a preferência da Petrobras em leilões do pré-sal

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Para ministro, prioridade da estatal em blocos reduz competitividade. Estuda-se retorno ao regime de concessão. (Foto: Stéferson Faria/Agência Petrobras)

Após os leilões de petróleo desta semana atraírem menos interessados que o previsto, o governo defenderá a flexibilização do regime de exploração do pré-sal, permitindo que blocos nestas áreas possam ser leiloados no modelo de concessão.

Neste último, a empresa se torna dona do petróleo, mas assume o risco da atividade. No regime de partilha, usado no Brasil apenas para a região do pré-sal, a União é a dona do petróleo e a empresa divide com ela o lucro da exploração.

Além da flexibilização do modelo, a Petrobras perderia o direito de exercer a preferência por blocos a cada leilão no pré-sal. Atualmente, a estatal diz ao governo, antes de cada licitação do pré-sal, se pretende impor a sua participação mínima de 30% como sócia do consórcio vencedor.

Essa preferência, agora, pode cair, diante da avaliação de que a norma distorce a competição pelos campos.

No leilão desta quinta-feira (7), em que foram ofertadas cinco áreas no pré-sal, apenas uma foi arrematada. Aram, na Bacia de Santos, foi levada pelo consórcio entre a Petrobras e a chinesa CNODC. As duas empresas pagarão R$ 5 bilhões pelo bloco.

Não houve propostas pelas demais áreas. E a Petrobras, que havia declarado preferência por três blocos, desistiu de duas áreas.

“O exercício do direito de preferência reduz a competitividade do certame. Quando a Petrobras exerce seu direito de preferência, e ela tem esse direito por lei, isso reduz a competitividade. E o fato de a Petrobras defender o direito de preferência e não participar tem que ser analisado. Não me parece ser de bom senso manter o regime como é hoje”, disse o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que estava no leilão desta quinta.

Projeto do senador Serra

Na quarta-feira (6), o governo realizou outro leilão de áreas localizadas no pré-sal que correspondem ao excedente da chamada cessão onerosa. As estrangeiras também não fizeram lances. Apenas duas chinesas formaram consórcio com a Petrobras e, juntas, levaram o principal área do leilão.

Para flexibilizar o modelo de exploração do pré-sal e acabar com o direito de preferência, o governo decidiu apoiar o projeto do senador José Serra (PSDB-SP), que altera a lei do pré-sal e acaba com a prioridade da Petrobras na seleção dos blocos.

O texto estabelece que o regime de concessão poderia ser usado também na contratação de áreas dentro do polígono do pré-sal — região definida em lei que engloba campos de exploração de petróleo entre as bacias de Santos e Campos —, e prevê que o governo decida em que blocos aplicar o regime de concessão ou de partilha.

“A gente se manifestou favorável ao fim do direito de preferência da Petrobras e para que não exista a essa limitação (da partilha). A gente tem avaliação que existem áreas que não são nem pré-sal dentro do polígono. A proposta que a gente apoia é que, mesmo dentro do polígono, e se houver avaliação econômica, (o leilão) também possa ser feito no regime de concessão”, disse a secretária de Petróleo do Ministério de Minas e Energia, Renata Isfer.

Blocos com pouco potencial

Por isso, o Ministério da Economia já defendia que o Conselho Nacional de Política Energética — órgão que reúne ministérios, presidido pelo ministro de Minas e Energia —, e assessorado pela Agência Nacional de Petróleo, decidisse qual é o regime jurídico mais vantajoso para cada bloco: partilha ou concessão.

Segundo técnicos do ministério, a necessidade da flexibilização é inerente aos diferentes perfis de risco exploratório das áreas.

Na avaliação do Ministério da Economia, há blocos cujo potencial geológico não justifica a licitação no modelo de partilha, que tem carga fiscal mais elevada e cobra royalties de 15% sobre a receita bruta.

Além disso, há a participação da estatal PPSA (Pré-Sal Petróleo SA) como gestora de contratos e membro do Comitê Operacional. A empresa é uma espécie de olho do governo na exploração. É como se a União entrasse como sócia na exploração, compartilhando riscos com as empresas.

Na área de Libra, a primeira concedida sob o regime de partilha, a União tem direito a 41,65% do petróleo produzido, depois de descontados os custos de produção. Essa parcela do petróleo é vendida pelo próprio governo, por meio da PPSA.

Na concessão, os royalties são de 10%, além de haver o pagamento de participação especial — que incide progressivamente sobre o lucro de campos muito produtivos.

Por isso, a avaliação é que, em campos com pouco nível de informação ou atratividade, o modelo de concessão seria mais adequado ao nível de risco exploratório. Haveria menos riscos para a União e para as empresas, e os campos ficariam mais atraentes para os investidores.

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