Sábado, 07 de março de 2026
Por Redação O Sul | 1 de julho de 2017
O governo de Michel Temer decidiu suspender o reajuste que pretendia anunciar em julho para o programa Bolsa Família. Segundo fontes do Palácio do Planalto, o presidente queria conceder um aumento de 4,6% no benefício, em uma iniciativa para reforçar a estratégia destinada a ganhar popularidade em meio à crise política nacional, da qual o chefe do Executivo é um dos protagonistas.
A equipe econômica, no entanto, teria avaliado que em meio à outra crise – a financeira – não há espaço para esse tipo de “bondade” no orçamento federal.
O assunto foi incluído, na última quinta-feira, na pauta de uma reunião de Temer com o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, que comanda a pasta responsável pelo programa. No encontro, ficou definido que não seria possível anunciar o reajuste neste momento, como planejado anteriormente. O impacto do reajuste nas contas públicas deste ano seriam de 800 milhões de reais.
De acordo com assessores do presidente, a decisão sobre o aumento do benefício foi adiada, sem data para que a discussão seja retomada. O Ministério já comunicou à Caixa Econômico Federal que não haverá mudança no valor dos pagamentos.
O plano original do governo era anunciar um reajuste do Bolsa Família de 4,6% – um ponto percentual acima da inflação registrada nos últimos 12 meses. Em maio, Osmar Terra declarou à imprensa, que o aumento seria oficializado em julho.
Nos últimos meses, entretanto, as contas do governo pioraram, principalmente por dificuldades de arrecadação. As receitas ficaram abaixo do esperado e a equipe econômica de Temer passou a cobrar um controle maior de gastos para evitar que a meta fiscal do ano seja descumprida.
Auxiliares afirmam que o presidente não havia dado sinal verde para a concessão do aumento, tratado como certo pelo Ministério do Desenvolvimento Social. Temer consultou a área econômica do governo, que atestou que o reajuste não caberia no Orçamento deste ano e criaria dificuldades também para fechar as contas de 2018.
Compensação
Para se contrapor à suspensão do reajuste, ao menos por enquanto, o governo quer anunciar a inclusão de cerca de 150 mil novas famílias no programa. No fim do ano passado, 500 mil famílias esperavam uma vaga, mas a pasta havia conseguido zerar a fila nos três primeiros meses deste ano.
Em maio, porém, o número voltou a crescer e 422 mil famílias pleiteavam o benefício. Em seu primeiro ano de governo, Temer concedeu um aumento de 12,5% nos pagamentos do Bolsa Família, após dois anos sem reajuste, durante o governo de Dilma Rousseff (2011-2016).
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