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Mundo O governo norte-americano desconvidou a China de um grande exercício militar dos Estados Unidos

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Ilhas no Mar do Sul da China são alvo de disputas na região. (Foto: Reprodução)

O Pentágono desconvidou a China de um grande exercício naval sediado pelos Estados Unidos em resposta ao que vê como militarização de Pequim de ilhas no Mar do Sul da China, uma decisão que a China disse não ser construtiva.

“Como uma resposta inicial à contínua militarização chinesa do Mar do Sul da China, nós desconvidamos a Marinha da China do exercício Rim of the Pacific (Rimpac) 2018”, disse o tenente-coronel Christopher Logan, um porta-voz do Pentágono.

Logan não especificou o que mais o governo dos Estados Unidos pode fazer para responder, mas destacou que há “forte evidência” de que a China enviou mísseis antinavio, sistemas de mísseis terra-ar e jammers eletrônicos para as contestadas Ilhas Spratly.

“Nós entendemos isto como uma ação não construtiva”, disse o diplomata mais sênior da China, Wang Yi, a repórteres em Washington após encontro com o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo. Wang descreveu a atividade chinesa no Mar do Sul da China como autodefesa, dizendo que o país está trabalhando em “escala muito menor” do que os Estados Unidos haviam feito no Havaí e em Guam.

“Nós esperamos que os EUA mudem uma mentalidade tão negativa”, disse.

Durante o fim de semana, a força aérea da China pousou bombardeiros nas ilhas disputadas no Mar do Sul da China como parte de um exercício de treinamento na região, gerando preocupações do Vietnã e das Filipinas.

Área disputada

O pano de fundo das disputas no Mar do Sul da China é a Convenção sobre o Direito do Mar, de 1982, que deu aos países com litoral o direito exclusivo de explorar os recursos naturais numa extensão que vai muito além das 12 milhas (22 km) do mar territorial. A chamada Zona Econômica Exclusiva (ZEE) se estende a até 200 milhas (370 km) da costa de um Estado, e se aplica também a ilhas.

Dessa forma, a convenção beneficiou não apenas os países com litorais extensos, mas também os que possuíam territórios espalhados pelo planeta. Não é o caso da China, que nunca passou por um período de expansão ultramarina nos moldes da europeia – é famosa a história dos imperadores da dinastia Ming que, no século XV, mandaram destruir a frota naval chinesa, a maior da época, e os registros de navegação do almirante Zheng He, cujos barcos faziam comércio com a África antes dos portugueses.

Quem saiu com vantagem foram as antigas potências coloniais e os Estados Unidos. No século XIX, Washington saiu comprando e negociando ilhas, como as Aleutas, o Havaí e Guam. Hoje – como aponta o sinólogo Peter Nolan, da Universidade de Cambridge – a China tem 900 mil quilômetros quadrados de ZEE em áreas não disputadas, e reivindica outros 2 milhões. Os Estados Unidos têm 12,2 milhões de quilômetros quadrados de ZEE, 13 vezes mais. Dois terços dela devem-se a possessões fora de seu território continental, a maioria no Pacífico.

Por resistência do Congresso, sempre reticente a acordos internacionais, os EUA nunca ratificaram a Convenção sobre o Direito do Mar. No entanto, em consonância com o tratado, o tamanho da ZEE americana foi proclamado nos anos 1980. O tema se tornou mais quente com a ascensão chinesa e a intenção americana de se manter como potência na Ásia.

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