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Brasil O horário escolhido para a posse de Bolsonaro no dia 1º de janeiro deve reduzir o número de governadores e líderes estrangeiros na cerimônia

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Antecipação foi recomendada pelo general que chefiará o Gabinete de Segurança Institucional. (Foto: EBC)

A antecipação do horário da posse do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) pode esvaziar a presença de líderes estrangeiros e governadores em Brasília no em 1º de janeiro. Antes marcada para as 17h, a assinatura do termo de posse, a ser realizada em sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados, foi antecipada para as 15h a pedido do próprio Bolsonaro.

Com isso, a presença das autoridades na capital federal deverá ser dificultada pelo pouco tempo para deslocamentos após as festividades de Réveillon e pelas posses dos governadores em seus respectivos Estados pela manhã, geralmente seguidas por um almoço.

Por volta das 12h30min do primeiro dia do ano, como parte das cerimônias de posse, o Ministério das Relações Exteriores deverá oferecer um almoço em homenagem ao presidente eleito, à nova cúpula governamental e às delegações estrangeiras.

A posse presidencial no primeiro dia do ano foi estabelecida pela Constituição Federal de 1988 e coincide com o feriado de Ano Novo, além das posses dos governadores eleitos nos Estados. Já circulam no Congresso Nacional propostas para alterar a data, com sugestões tanto para outros dias de janeiro como para o dia 15 de novembro. Mas não há previsão de quando serem apreciadas.

A antecipação foi solicitada via e-mail por um assessor do gabinete de Bolsonaro, que se passou pelo presidente eleito em mensagem a uma diretora do Senado. Após serem informados de que o assunto teria de ser tratado com o presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE), Bolsonaro procurou o senador, que acatou a solicitação.

Na mensagem ao qual à imprensa teve acesso, não há justificativa. O texto diz apenas que a mudança de horário é uma recomendação do futuro ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general da reserva do Exército Augusto Heleno.

Uma das explicações possíveis, segundo responsável ouvido pela reportagem, é o desejo de se encurtar a cerimônia. No dia da posse, a previsão é de que Bolsonaro esteja se recuperando de cirurgia para a retirada de bolsa de colostomia usada desde que sofreu um atentado a faca, em setembro.

De acordo com integrante da organização da cerimônia, a posse é marcada geralmente para as 17h para poder contar com a maior quantidade possível de chefes de Estado e de governo. Com a alteração, a expectativa é que haja mais embaixadores ou outros representantes em vez dos líderes.

Se quiser prestigiar a posse do governante brasileiro, o presidente norte-americano Donald Trump, a quem Bolsonaro admira e gostaria de receber, terá que sair dos Estados Unidos na madrugada de 1º de janeiro ou passar o Ano Novo em Brasília, o que é menos provável. A presença dele ainda não foi confirmada.

Convites

Os 2.100 convites para a posse foram aprovados na última quarta-feira e devem começar a ser confeccionados nos próximos dias. O Itamaraty os envia a todos os líderes de países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas. A expectativa é que todos os países da América do Sul estejam presentes, alguns da África e poucos da Europa e da Ásia. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, manifestou vontade em comparecer, mas ainda não confirmou oficialmente.

Já os governadores terão de correr se decidirem ir à posse presidencial. Após as respectivas posses pela manhã nos estados, os eleitos costumam promover almoços, mas, tendo de estar em Brasília antes das 15h, a agenda poderá ficar atropelada. Um voo de Fortaleza (CE) ou de Porto Alegre (RS) para a capital federal costuma levar cerca de duas horas e meia, sem contar os deslocamentos de carro.

Para chegar ao plenário da Câmara dos Deputados, onde fará o juramento do compromisso constitucional, será empossado e discursará, Bolsonaro não entrará pelo chamado “Salão Verde”. Ele deverá usar uma entrada lateral e subir direto para a Mesa para não correr o risco de haver esbarrões e prejudicar o pós-operatório.

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