Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de abril de 2021
O Instituto Butantan anunciou nesta quinta-feira (8) que a remessa de matéria-prima da CoroanaVac, que está atrasada, foi liberada e deve chegar em São Paulo até dia 20 de abril. O processo de envase da vacina foi suspenso há 11 dias por conta de um atraso no despacho de insumos produzidos na China, disse o diretor do instituto, Dimas Covas, na quarta (7).
O diretor chegou a dizer que a expectativa era a de que esse lote chegasse até esta quinta.
Com a liberação da exportação, o Butantan deve receber um lote de 3 mil litros de insumos, suficientes para a produção dessas 5 milhões de doses da vacina, até o próximo dia 20. Uma segunda remessa, com mais 3 mil litros, está prevista para chegar até o final do mês.
Segundo o instituto e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o atraso não vai impactar as entregas previstas ao Ministério da Saúde, e o contrato com o governo federal para entregar 46 milhões até o final de abril será cumprido.
“O Butantan está entregando a vacina dentro dos prazos previstos, e tivemos a boa notícia do embarque de mais 3 mil litros dos insumos do IFA [Ingrediente Farmacêutico Ativo] para a produção da vacina do Butantan nas instalações do instituto em São Paulo”, disse Doria em comunicado em vídeo.
Desenvolvida pelo Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, a CoronaVac corresponde a mais de 80% das imunizações contra a covid-19 aplicadas no Brasil.
No entanto, na quarta, Dimas Covas declarou que o processo completo até a liberação das doses para o Ministério da Saúde dura cerca de 20 dias após a chegada dos insumos. De acordo com este cálculo, caso a nova remessa chegue no dia 20 de abril, a liberação das doses poderia ocorrer apenas no dia 10 de maio.
Desde janeiro, o Butantan já disponibilizou 38,2 milhões de doses ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). O contrato com o governo federal, no entanto, prevê a entrega de 46 milhões até o final de abril – portanto, há ainda outras 7,8 milhões de doses a serem entregues ainda neste mês.
O instituto afirmou que possui cerca de 3,2 milhões de vacinas já envasadas e em processo de inspeção de controle de qualidade, que devem ser liberadas até o dia 19 de abril.
Mesmo com a entrega dessas doses, cerca de 4,6 milhões de doses ainda precisariam ser envasadas e inspecionadas até o final do mês para que o Butantan cumpra o cronograma firmado com o governo federal.
Suspensão do envase
Covas disse na quarta que o envase de vacinas no Butantan estava suspenso há 10 dias e que todas as doses provenientes do material recebido da China já haviam sido envasadas.
Segundo ele, um carregamento de insumos que estava previsto para esta quinta sofreu atrasos. Ele afirmou, no entanto, que o cronograma de entregas de vacinas ao Ministério da Saúde está mantido. O instituto informou ainda que negocia com o governo chinês para receber as novas remessas.
“A matéria-prima está pronta para o embarque na China, houve um problema burocrático. Não há anormalidade. Não há retenção de vacina da China. Não há nenhum ruído de comunicação entre o Brasil e a China, nem entre o Butantan e a Sinovac”, afirmou.
Covas disse ainda que houve um adiantamento da entrega de março, mas não será possível fazer o mesmo para a entrega de abril: “Não vamos conseguir neste momento fazer o adiantamento, porque precisaria de mais IFA. Só vamos conseguir a partir de maio”.
Vacinação na China
Na segunda-feira (5), o diretor do Butantan já havia reconhecido que a aceleração da vacinação na China pode afetar o fornecimento de matéria-prima de imunizantes contra a covid-19 para o Brasil.
A exemplo da CoronaVac, a vacina da AstraZeneca/Oxford, importada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também utiliza insumos de origem chinesa.
Em entrevista à GloboNews, o diretor do Butantan disse que a demanda do governo chinês por mais vacinas preocupa.
“É uma preocupação. Essa demanda do governo chinês por vacinas pode, de certa forma, interferir no fornecimento de vacinas para o Brasil e para o mundo. No caso especifico do Butantan, nós não importamos vacinas prontas, importamos matéria-prima, isso dá uma certa tranquilidade”, afirmou.
“Nós temos tido uma conversa muito intensa para não ocorrer alteração neste fornecimento. É tudo que nós não precisamos neste momento. Até este momento tudo está correndo dentro do planejado.”
No final de março, a China ultrapassou os Estados Unidos e a Índia e voltou a ser o país com a maior quantidade de vacinas contra a covid-19 aplicadas por dia em uma semana, segundo balanço do Our World in Data.
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Não deve estar fácil a aquisição de insumos…o mundo inteiro está a procura e compra. Não vejo má fé nos governos em geral e sim uma enorme demanda por insumos.