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Brasil O isolamento social fica abaixo de 50% em todos os Estados brasileiros

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Na última quinta-feira (4), o Brasil bateu novo recorde com a confirmação de 1.471 mortes em 24 horas. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Apontado como uma das armas mais eficazes para tentar conter o avanço da pandemia do novo coronavírus, o isolamento social está em queda e bem abaixo do índice considerado ideal em todo o Brasil. Nos últimos dias, o número de pessoas que evitou sair às ruas ficou em patamar próximo aos da primeira quinzena de março, quando os casos de covid-19 ainda eram reduzidos no País. O afrouxamento da quarentena por parte da população coincide com o momento em que o sistema público de saúde começa a entrar em colapso e em que até mesmo a rede privada dá sinais de não conseguir absorver a demanda de pacientes.

Para avaliar melhor o comportamento da população nesse momento o jornal O Estado de S. Paulo vai divulgar um monitor do isolamento feito com base em dados da Inloco, empresa de tecnologia que fornece inteligência a partir de dados de localização. A empresa tem no Recife e escritórios em São Paulo, Palo Alto (Vale do Silício) e Nova York. O monitor permite verificar o indicador de isolamento do país e também separado por Estados, além de gráficos com o histórico das taxas.

Os dados mostram que a média de isolamento no País está em 43,4%, enquanto que especialistas apontam para a necessidade de o número mínimo ser de 70%. Nenhum Estado brasileiro chega nem sequer perto disso – todos apresentam índice de isolamento inferior a 51%.

As informações são da coluna de Reinaldo Azevedo, do UOL.

Estudo

Com base nos dados do Ministério da Saúde, o engenheiro químico e professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) Eduardo Lima verificou que há uma tendência de diminuição do número de mortes pela covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, após a adoção de medidas restritivas à circulação de pessoas.

De acordo com o professor, os estudos têm indicado que a adoção de estratégias de isolamento social surte efeito, em média, de 10 a 14 dias, após o início da medida – mesmo período de incubação do vírus.

Ao analisar os dados oficiais de óbitos por milhão de habitantes, Lima concluiu que os resultados mostram uma tendência mais constante de achatamento da curva após a decretação das medidas restritivas. “Os casos vinham em uma crescente exponencial, mas o gráfico mostra que isso desacelerou, o que é a constatação científica e aferida por números de que o isolamento é eficaz”, disse.

Segundo o pesquisador, a comparação entre as regiões Norte e Sul evidencia o impacto positivo do isolamento social. “Até o 11º dia após atingir uma morte por milhão de habitantes – o que na região Sul aconteceu em 12 de abril e, na região Norte, em 15 de abril –, ambas seguiam praticamente a mesma curva, apresentando uma taxa de aumento de cerca de 30% de mortes ao dia”, afirmou.

Com a adoção de medidas de restrição à circulação mais rigorosas, o Sul conseguiu desacelerar o avanço da doença, ao contrário da Região Norte, onde foi registrada menor adesão ao isolamento social. No 20º dia após atingir uma morte por milhão de habitantes, o Sul apresentava taxa de aumento das mortes por dia perto de 10% enquanto, no Norte, esse índice estava perto de 20%.

“Em cerca de dez dias, o Sul reduziu de 30% para perto de 10%. Enquanto o Norte reduziu de 30% para 20% a taxa de aumento do número de mortes por dia”, disse. “Esse foi o problema. Isso fez a curva exponencial de casos da Região Norte explodir. Por isso, deu o problema de sobrecarga no sistema de saúde”.

De acordo com o professor da Uerj, em 27 de abril, a Região Sul tinha 16 óbitos por milhão de habitantes ao passo que a Região Norte apresentava 26 óbitos por milhão de habitantes.

O pesquisador afirma ver com preocupação a situação atual da epidemia no Brasil. “A gente ainda tem aumento expressivo de número de casos, ainda não tem um indicativo de que a gente esteja próximo de chegar ao pico de propagação e governadores e prefeitos estão discutindo medidas de relaxamento do isolamento”, disse Lima.

“Enquanto a gente ainda não tem uma vacina ou um remédio com comprovação científica de que funcione, a gente não tem outra estratégia que seja tão indicada quanto o isolamento social”, destacou.

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