Domingo, 27 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de março de 2018
O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava-Jato na primeira instância, determinou o bloqueio de R$ 4,4 milhões do economista e ex-ministro Antônio Delfim Netto e de empresas ligadas a ele. A casa, o escritório e empresas de Delfim foram alvos de mandados de busca e apreensão durante a 49ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada nessa sexta-feira.
O procurador da República Athayde Ribeiro Costa afirmou, em entrevista coletiva, que o ex-ministro Antonio Palocci foi uma espécie de “porta-voz” dos pedidos de propina para o PT e PMDB (atual MDB), no âmbito do esquema investigado na atual fase da força-tarefa.
As investigações apontam o pagamento de propina no valor de R$ 135 milhões em obras que envolveram a construção da usina de Belo Monte, no Pará. Desse total, de acordo com o MPF (Ministério Público Federal), R$ 60 milhões foram destinados para o PT, R$ 60 milhões para o MDB e R$ 15 milhões para o ex-ministro Delfim Netto.
Inicialmente, ele é investigado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa. Ainda conforme o MPF, o dinheiro da propina chegava em espécie até o ex-ministro e também por meio de contratos fictícios para prestação de consultoria.
Segundo as investigações, o dinheiro foi pago a Delfim como forma de gratificação por sua atuação na montagem do consórcio de empresas, segundo delação premiada de Flávio Barra. Para o MPF, há fortes indícios de que o consórcio Norte Energia foi indevidamente favorecido por agentes do governo federal para vencer o leilão destinado à concessão da usina de Belo Monte.
Posteriormente, de acordo com os procuradores, mediante acordos de corrupção, a Norte Energia direcionou o contrato de construção da usina a outro consórcio, formado por seis empresas que deveriam efetuar pagamentos de propina em favor de partidos políticos e seus representantes, no percentual de 1% do valor do contrato e seus aditivos.
O outro consórcio é o Consórcio Construtor. Ele foi formado, segundo as investigações, pela Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS e J. Malucelli.
Outro lado
Em nota, os advogados de Delfim Netto, Ricardo Tosto e Jorge Nerm, afirmaram que os valores recebidos são referentes a honorários de consultoria prestada pelo ex-ministro. “O professor Delfim Netto não ocupa cargo público desde 2006 e não cometeu nenhum ato ilícito em qualquer tempo. Os valores que recebeu foram honorários por consultoria prestada.”
Também por meio de nota, o advogado Fernando Araneo, que defende Luiz Appolonio Neto, disse que o cliente “refuta veementemente as acusações e esclarece que sua vida profissional sempre foi pautada pela legalidade”.
O MDB e O PT se defenderam em nota. “O MDB não recebeu propina nem recursos desviados no Consórcio Norte Energia. Lamenta que uma pessoa da importância do ex-deputado Delfim Neto esteja indevidamente citado no processo. Assim, como em outras investigações, o MDB acredita que a verdade aparecerá no final”, destacou o texto da sigla.
O PT afirmou que as acusações não têm fundamento e visam atacar o partido em razão da proximidade das eleições. “As acusações dos procuradores da Lava-Jato ao PT, na investigação sobre a usina de Belo Monte, não têm o menor fundamento. Na medida em que se aproximam as eleições, eles tentam criminalizar o partido, usando a palavra de delatores que buscam benefícios penais e financeiros.”
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