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Mundo O lado bom das guerras mundiais: se não fossem elas, não existiriam nem satélites nem computadores

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Criação do Sputnik 1 acelerou corrida tecnológica fazendo americanos criarem artefatos cada vez mais sofisticados. (Foto: Reprodução)

A Segunda Guerra foi a mãe da computação. Na disputa por quem tinha o maior poder de destruição, alemães e aliados deram grandes saltos tecnológico, importantes para a retomada do desenvolvimento de tudo o que viria em seguida. O governo nazista saiu na frente. O engenheiro Konrad Zuse, que atuou na fábrica de aviões Hesnchel & Son, produziu o primeiro computador programável e 100% digital da história, o Z3, em 1941. Serviria para automatizar cálculos dos projetos aeronáuticos, mas o Estado alemão determinou que a pesquisa tinha “baixa prioridade”. A maravilha tecnológica foi deixada para “comer poeira” até ser destruída em um ataque aéreo.

Primeiro computador.

Dois anos depois, os ingleses criaram o Colossus que, de acordo com o historiador da computação neozelandês Jack Copeland, foi “o primeiro computador digital eletrônico em larga escala”. Apesar de os ingleses terem começado depois dos alemães, foram eles que conseguiram concretizar a ideia, dando a largada para a informática moderna. “O Colossus foi central no ataque aliado à máquina de criptografia nazista Tunny e mensagens decodificadas assim revelaram a inteligência que mudou o curso da guerra, salvando inúmeras vidas.”

No ano seguinte, os americanos criaram o Harvard Mark 1 para fazer os cálculos balísticos da Marinha americana. O ENIAC, que começou a ser produzido em 1943, não ficou pronto a tempo de calcular o potencial da bomba de hidrogênio, versão mais potente das armas nucleares. Há grande distância entre o projeto, a construção e a entrega de um artefato de guerra dessa magnitude.

A Segunda Guerra também viu o renascimento dos foguetes. A maioria deles não era inteligente como o HVAR americano ou o R4M nazista – voavam em linha reta na esperança de o alvo não sair do lugar. Mas surgiram projetos mais sofisticados. Os X4 e X7 alemães podiam ser guiados por cabos para atingirem seu alvo. Não chegaram a entrar em combate, diferentemente do V-2 (sigla para Vergeltungswaffe, que, em alemão, significa arma de vingança), o primeiro míssil balístico, que tinha um sistema mecânico rudimentar de guiagem – permitia acertar “um alvo do tamanho de Londres [Inglaterra]”. Ele foi usado principalmente para acertar objetos britânicos e belgas.

Essas armas foram copiadas pelos vencedores e a tecnologia evoluiu rapidamente para mísseis guiados por radar infravermelho, já nos anos 1950. A Força Aérea americana, por exemplo, durante a guerra do Vietnã, optou por caças como o F4 Phantom. Inicialmente, dispensaram os canhões, tidos por obsoletos. O que foi um erro fatal: mísseis não podem explodir muito perto ou destroem o próprio avião que o lançou.

“Os pilotos do MIG [avião de guerra à jato bimotor] no Vietnã do Norte passaram a explorar a ‘área segura’ – aproximadamente 800 metros em frente a um Phantom – criada pela ausência de um canhão”, afirma o historiador militar Marshall L. Michel III. “Um estudo concluiu que, em metade dos combates, os norte-vietnamitas se beneficiavam dessa falta de capacidade para curta distância.”
No lado mais estratégico, o V-2 daria origem à exploração espacial – e a uma coisa bem mais sombria, os mísseis balísticos intercontinentais, capazes de deitar o arsenal atômico de um país em outro sem possibilidade de represálias.

Criação do satélite.

Em 4 de outubro de 1957, o primeiro satélite artificial da história, o Sputnik 1, foi apresentado. Os americanos não demonstraram entusiasmo. Se os soviéticos podiam fazer uma “bola de metal” girar em torno do mundo, também podiam mandar bombas atômicas pelo espaço. A suspeita tinha fundamento – o veículo lançado pelo satélite era um míssil nuclear R7 modificado.

O pavor se transformou em uma corrida frenética atrás do prejuízo. O resultado seria o sofisticado LGM-30 Minuteman, de 1960, que tinha um computador de bordo transistorizado, tão poderoso que seria usado em universidades. Na versão III, de 1970, é o único míssil balístico continental de origem terrestre ainda em operação nos Estados Unidos. (AE)

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