Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 21 de junho de 2016
Delator na maior operação de combate a corrupção e lavagem de dinheiro do País, a Lava-Jato, o contador Roberto Trombeta foi uma das vítimas do maior assalto a banco do Brasil, quando um grupo roubou 142 cofres particulares de uma agência do Itaú, em São Paulo, em agosto de 2011.
Trombeta fechou acordo de delação premiada com a Lava-Jato em 2015. Ele confessou ter operado pagamentos de propina a mando das empreiteiras OAS e UTC, relativos à corrupção na Petrobras.
Em 2012, ano seguinte ao roubo ao Itaú e dois anos antes da Lava-Jato vir à tona, o contador processou o banco pedindo ressarcimento do valor levado de seu cofre pelos criminosos: 1,3 milhão de dólares e 787 mil euros (cerca de 7,5 milhões de reais, em valores atuais).
O banco contestou, e ganhou em primeira instância. Argumentou que não havia provas de que o cofre alugado por Trombeta contivesse tal montante, “posto não demonstrada a propriedade das moedas estrangeiras, não tendo sido apresentada a declaração de imposto de renda passível de confirmar a propriedade alegada”.
Ainda conforme argumentou o Itaú, o contrato de aluguel do cofre estipulava que para guardar ali mais de 15 mil reais seria necessário declarar os bens e fazer um contrato adicional de seguro, o que Trombeta não fizera. A Justiça acatou esse argumento. Os advogados recorreram, e o caso agora aguarda julgamento no Tribunal de Justiça.
A ação de reparação de danos foi movida por Trombeta e seu sócio, Rodrigo Morales, que contratualmente alugavam o cofre da agência do Itaú. Eles tentaram incluir como autoras do pedido de ressarcimento 12 empresas sob seu controle, sustentando que boa parte do valor roubado pertencia a essas firmas. A Justiça, porém, não aceitou a inclusão das empresas, porque os nomes delas não constavam do contrato de uso do cofre – assinado somente em nome de Trombeta e Morales. O contrato com o banco não permitia sublocação ou empréstimo do espaço.
O assalto.
Estima-se que tenham sido levados de 250 milhões de reais a 500 milhões de reais em joias de família, relógios, moeda estrangeira, pedras preciosas e ações ao portador. O número de vítimas nunca foi divulgado exatamente, porque muitas não quiseram dar queixa ou demoraram para fazê-lo. Em 2013, cinco homens foram condenados a 18 anos e 8 meses de prisão – entre eles, um vigia do banco e um funcionário de uma empresa que controlava os alarmes.
Ligado à OAS e à UTC, empreiteiras investigadas na Lava-Jato, o nome de Trombeta voltou ao noticiário recentemente, após ele relatar um pagamento de 3 milhões de reais, em dinheiro vivo, da montadora Caoa para o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, que é apontado como operador de propinas do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. O petista nega.
O pagamento, em setembro de 2014, ocorreu em uma das empresas de Trombeta, a Full Time Intermediação de Negócios Ltda. Naquela época, eram sócios de Trombeta na Full Time o delegado Youssef Chahin, que hoje é o chefe da Polícia Civil de São Paulo, e o irmão dele, Wlademir Chahin, também delegado de polícia.
O advogado Carlos Costa Silva, cujo escritório representa Trombeta na ação contra o Itaú, disse que 100% das moedas estrangeiras roubadas do cofre haviam sido adquiridas legalmente no próprio banco. Porém, a maior parte do valor, segundo ele, pertencia às empresas de Trombeta e Morales, e não a eles como pessoas físicas – daí o banco ter dito que os dois não puderam provar, por meio de suas declarações de imposto de renda, possuírem tal montante.
Em nota, o delegado-geral, Youssef Chahin, destacou que Trombeta saiu da sociedade da Full Time no final de 2014, sendo substituído por sua filha, Roberta Trombeta. “Os erros de uma pessoa, se comprovados, não transcendem os limites da mesma”, disse. (AE)
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