Sexta-feira, 25 de Junho de 2021

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Música O maestro João Carlos Martins testa uma luva especial e tem a ajuda de um robô para tocar piano

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Acompanhado de violinos, o músico tocou um trecho de Bach. (Foto: Divulgação)

“O contrário da vida não é a morte, é a repetição”. Após anunciar aposentadoria no início do ano, o maestro João Carlos Martins demonstra que a carreira não termina assim. Nesta quarta-feira (30), ele participou do evento Estadão Summit Brasil – O que é poder?  e falou sobre superação.

Um acidente que provocou a atrofia em três dedos das mãos e uma pancada durante um assalto não comprometeram o desejo do músico em continuar seu ofício. “Minha história com a música começou quando meu pai nasceu e tinha um sonho: tocar piano.” Ao completar 10 anos, seu pai teve o objetivo interrompido, conta. “Ele também sofreu um acidente. Teve uma das mãos decepada.”

Acompanhado de violinos, o músico tocou um trecho de Bach, emocionado, e contou uma novidade. “Eu já tenho a ajuda de um robô para virar as páginas da partitura. Agora estou experimentando algo novo.”

Com o auxilio de um protótipo de uma luva, o maestro apresentou um trecho da trilha sonora do filme A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. “Estamos sempre melhorando e espero poder tocar em um ano”, contou ao Estado. “A luva mantém minha mão firme e consigo executar as notas.”

Livro

A vida do pianista e maestro João Carlos Martins, 79 anos, foi tema de filme, documentário, musical, livros e até de samba-enredo. Não à toa. Logo na infância, ele demonstrou talento para virar um grande pianista. E se tornou.

Mesmo com todas as adversidades físicas que o fizeram parar e voltar algumas vezes a tocar o instrumento: lesões no nervo ulnar (após um acidente durante uma partida de fogo em Nova York), por esforço repetitivo (em razão aos excessivos treinamentos no piano), e no cérebro (depois de um assalto na Bulgária); e a distonia, doença degenerativa que afeta os movimentos do corpo. Quando teve que largar de vez a maior paixão, o piano, João Carlos poderia ter deixado a música de lado. Mas não o fez.

Superou todos os problemas, mais uma vez. E, aos 64 anos, assumiu o desafio de se tornar maestro. A ideia veio de um sonho na madrugada e, na manhã seguinte, ele já estava assistindo a primeira aula.

Essa trajetória de quedas e levantes é o norte de João de A a Z, mais novo livro de João Carlos Martins lançado pela Editora Sextante. Mais do que contar o enredo que muita gente conhece pela relevância do artista na música brasileira, o maestro compartilha o que sabe fazer de melhor: contar histórias com muito bom humor. Em 208 páginas, ele faz um passeio pela própria narrativa, com o detalhismo que só ele mesmo poderia fazer, com base em uma palavra para cada letra do alfabeto, ao melhor estilo de um abecedário biográfico. Ele conta desde a infância até os dias de hoje, falando de religião, convivência e música, claro.
Inicialmente, João Carlos não tinha intenção de escrever um livro. “Já falaram tudo sobre mim. O que eu vou falar agora?”, se questionou quando surgiu o convite. A ideia de se inspirar nas letras do alfabeto para buscar palavras-chaves que pudessem ser o início para cada capítulo veio depois de uma reunião do maestro com Pascoal Soto, editor da Sextante, e o jornalista Vicente Vilardaga. “Gostei da ideia. Em cinco dias, peguei um livro, porque eu não sei mexer no computador, fui escolhendo as palavras e eu mesmo escrevi tudo”, conta e logo grita o nome da esposa Carmen Valio, com quem é casado há mais de 20 anos, para que busque o manuscrito, um caderno todo escrito a mão com uma caligrafia caprichada que, aos poucos, vai se transformando num garrancho. “Escrevi o manuscrito, que é uma letra horrível, porque eu não consigo escrever, ficava com a mão cansada, mas ficava o dia inteiro até acabar de escrever”, afirma.
Em apenas cinco dias,João Carlos Martins escreveu a primeira versão. Depois, em mais cinco dias, fez outra. “Escrevi inteirinho de novo e falei que estava pronto. Três dias depois, eu telefonava para dizer que não estava pronto. No quarto dia, falava que não estava pronto de novo. Eu sou metido a perfeccionista. Todo esse processo levou uns 15 dias, o que eu escrevi, reescrevi e falava que estava pronto e depois que não estava”, acrescenta, demonstrando que o perfeccionismo e detalhismo que sempre teve na música também foi transportado para o trabalho literário.

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