Sábado, 29 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 17 de setembro de 2018
Após os resultados das últimas pesquisas eleitorais, os candidatos à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) são vistos pelo mercado financeiro como os mais prováveis em um eventual segundo turno. Agora, investidores começam a medir os riscos no caso de vitória de cada um deles. Especialistas projetam mais oscilação do dólar nas próximas semanas, com o pico de nervosismo entre o primeiro e o segundo turnos, quando a disputa entre esses dois candidatos, caso avancem para a reta final, deve se acirrar.
Na semana passada, a moeda chegou a bater R$ 4,20, com uma alta acumulada de 1,51% no período. “Um por cento na variação do preço de um ativo com liquidez internacional como o dólar, com risco emergente e com a questão local, não é nada”, afirma Adriana Dupita, economista do Santander.
Na quinta-feira (13), quando o dólar chegou aos R$ 4,20, não havia nenhuma notícia concreta no mercado a guiar a disparada da moeda. As explicações mais frequentes foram temores de avanço do petista nas intenções de voto e o receio sobre a saúde do líder, Bolsonaro, que passou por uma cirurgia de emergência decorrente de complicações do atentado à faca que sofreu.
O mercado ainda teria que esperar até a noite do dia seguinte para saber o resultado da última pesquisa Datafolha, que indicou a ascensão do capitão reformado, agora com 26% das intenções de voto. Haddad subiu de 9% para 13% da preferência dos eleitores, empatado com Ciro Gomes (PDT). Geraldo Alckmin (PSDB) ficou com 9% e Marina Silva (Rede) com 8%. O levantamento ouviu 2.820 eleitores, com uma margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR 05596/2018.
O UBS projeta que o dólar vai oscilar mais na segunda fase da disputa. Tony Volpon, economista-chefe do banco, diz que Bolsonaro pode ter dificuldades em aprovar propostas no Congresso, apesar de ser parlamentar, porque tem comportamento de “outsider”.
Já Haddad carrega a experiência do PT e não deveria enfrentar dificuldades. A questão é sua disposição em propor reformas. “O mercado tem dúvida se o partido se radicalizou após o impeachment [de Dilma Rousseff]”, afirma Volpon.
O economista acrescenta ainda a dificuldade de comparar a disputa deste ano com eleições anteriores. “É um erro olhar para eleições passadas, erro que muita gente cometeu com Geraldo Alckmin [PSDB] em relação ao tempo de TV. Desde 2017, defendo que Bolsonaro seria muito competitivo por causa das redes sociais”, diz.
A possibilidade de Alckmin crescer por causa do tempo de TV foi repetida à exaustão pelo mercado, que depositava no tucano esperanças de um presidente comprometido com reformas que consideram necessárias para o equilíbrio das contas públicas.
Agora, o mercado começa a abandonar essa esperança e flerta com Bolsonaro, apesar das incertezas. “Não é o grande pulo do gato pensar que haverá muita volatilidade no segundo turno”, diz Volpon. Para os especialistas, o fato de os índices econômicos no Brasil não estarem acompanhando as oscilações internacionais mostra que as peculiaridades do momento eleitoral têm prevalecido.
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