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Educação O Ministério da Educação mantém mudança no Sisu que, na prática, inutiliza nota de corte na hora de escolher o curso

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A nota de corte é o resultado do candidato com o menor desempenho que está sendo aprovado em cada curso. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil) Percentual de negros com diploma cresceu quase quatro vezes desde 2000, segundo IBGE

O MEC (Ministério da Educação) decidiu manter uma mudança no Sisu (Sistema de Seleção Unificada) que, em 2020, ficou conhecida como “Erro no Sisu”. A alteração faz com que as notas de cortes fiquem artificialmente mais altas, o que, na prática, inutiliza o recurso que baliza a escolha dos candidatos. O ministério divulgou nesta segunda-feira (29) os resultados do Enem e abre o Sisu em 6 de abril.

A nota de corte é o resultado do candidato com o menor desempenho que está sendo aprovado em cada curso. Ela é atualizada diariamente no site do Sisu e serve para o aluno saber se está sendo aprovado ou não. Se o candidato tiver pontuação menor do que a nota de corte ele pode optar por trocar de curso ou tentar uma vaga na lista de espera.

Em 2020, porém, uma mudança que não havia sido anunciada pelo MEC inviabilizou a utilização da nota de corte para se tomar a decisão.

Em anos anteriores, o sistema não considerava, para a nota de corte, a segunda opção dos candidatos que já estavam sendo selecionados na primeira opção de curso. O modelo novo, no entanto, não faz isso.

“O que gera uma dupla classificação. Ou seja, um mesmo candidato ocupa temporariamente duas vagas, gerando algo como uma ‘classificação fantasma’. Isso ocorre pois, ao sair o resultado, caso o candidato seja aprovado em sua primeira opção, ele desaparecerá da lista de classificados da sua segunda opção, fazendo com que outros candidatos em posições inferiores durante as prévias ganhem várias colocações no momento do resultado da chamada regular”, explica Frederico Torres, coordenador do Colégio Pódion e especialista em Sisu.

Um dos alunos de Torres terminou o último dia do Sisu de 2020 na 83ª posição. Com o fechamento do sistema – e, portanto, a saída da lista de quem colocou aquele curso como segunda opção – ele subiu para a 43ª.

Os estudantes só perceberam a mudança durante o período de inscrições do Sisu e chegaram a pensar que se tratasse de um novo problema de um processo marcado por erros. Por isso, criaram a a hashtag “erro no sisu” para protestar contra a mudança.

“O modelo novo deixa os alunos perdidos. O candidato não sabe até que ponto essa classificação que está naquele momento do Sisu inclui pessoas que marcaram aquele curso como segunda opção e vão acabar sumindo depois pois passaram na primeira opção”, diz o especialista. “E os estudantes mais prejudicados são aqueles que não têm tanta informação e não acompanham de perto. Eles desistem do curso e ficam sem as vagas.”

Fora da realidade

O MEC afirma que o modelo não aumenta artificialmente a nota de corte. Em nota, defende que “a atual apresentação é mais transparente e segura”.

No entanto, levantamento feito pelo jornal O Globo em 3.353 cursos de universidades federais aponta que, em 87% deles (2.908), a nota de corte caiu na comparação entre o último dia de inscrições no Sisu de 2020 e o resultado final.

“Esse novo método não representa a realidade da classificação final. Fica muito difícil saber se você tem alguma chance no curso que almeja”, lamenta Luiza Haikal, 19 anos, que tenta Medicina.

Ela foi uma dos quase nove mil candidatos que, em 2020, tiveram a prova corrigida incorretamente por erro da gráfica. O problema só foi admitido depois da manifestação dos alunos com a hashtag “erro no enem”.

“Como espero sempre o pior do Enem, não me surpreenderia se errassem na nota de novo”, desabafa.

Recorde de abstenção

O último Enem entrou para a história com o maior índice de abstenção da história. Mais de 55% dos inscritos, acima de 3 milhões de estudantes, não fizeram as provas em meio à pandemia e pedidos de novo adiamento – o exame já havia passado de novembro de 2020 para janeiro desse ano. Na avaliação de Frederico Torres, isso pode afetar anota de corte.

“Cursos mais concorridos, como Medicina, não devem sofrer impactos porque os alunos estão, às vezes, se preparando há anos e não acredito que a abstenção venha daí. Mas outros podem sim ter nota de cota menor”, afirma.

Segundo o professor de Matemática, além das abstenções, o nível da prova de 2020 também deve pesar. “O Enem utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI) para o cálculo das notas, o que pode gerar diferenças nas notas para um mesmo nível de acertos. Um candidato com 36 acertos em 2018 teve uma nota média de 699 em Linguagens e Códigos. Já em 2019, para os mesmos 36 acertos, a nota média caiu 50 pontos, chegando a 649. Ou seja: uma queda nas notas de corte também podem ser reflexo de notas mais baixas pela TRI e, não necessariamente, reflexo da alta abstenção”, diz. As informações são do jornal O Globo.

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