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Brasil O Ministério da Justiça quer monitorar o esgoto dos brasileiros para fazer um estudo sobre o consumo de drogas no País

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Pesquisa utiliza amostras de água em estações de tratamento. (Foto: Divulgação/UnB)

O Ministério da Justiça e da Segurança Pública quer monitorar o esgoto dos brasileiros para radiografar o consumo de drogas no País. Essa é a proposta do projeto “Cloacina”, da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, ligada à pasta sob o comando do ex-juiz Sérgio Moro. Um acordo já está sendo fechado com a UnB (Universidade de Brasília) para a pesquisa, no valor de R$ 10 milhões.

Por meio desse tipo de estudo, são recolhidas amostras em estações de tratamento, que permitem identificar as drogas mais utilizadas e a periodicidade do consumo, já que os materiais ilícitos consumidos pelos usuários deixam traços em dejetos como urina e fezes, princípio que norteia os exames antidoping.

Esse projeto deve começar nas cinco cidades do programa “Em Frente, Brasil”: Ananindeua (PA), Cariacica (ES), Goiânia (GO), Paulista (PE) e São José dos Pinhais (PR). A ideia é expandir o campo de coleta para até 18 municípios em quatro anos. O Ministério da Cidadania tem um plano semelhante, mas de menor orçamento e abrangência. As pastas dividem políticas sobre drogas: a de Moro centra na questão do combate à oferta de entorpecentes, a de Osmar Terra no consumo.

Distrito Federal

Em 2010, a UnB começou a produzir um levantamento sobre os pontos de maior consumo de cocaína no Distrito Federal, com base em amostras obtidas em estações de tratamento de esgoto de Brasília e outras cidades da região.

A pesquisa se estendeu até 2018 e mostrou que as áreas de maior consumo eram a Asa Norte e Lago Norte – bairros de classe média alta da Capital. O nível de consumo constatado pelos técnicos superou o de grandes metrópoles dos Estados Unidos e Europa.

Outro dado observado é que o consumo de cocaína nos fins de semana é maior do que em quaisquer outros dias da semana. Segundo especialistas, essa diferença se explica pela tradicional tendência de aumento do chamado “uso recreativo” de entorpecentes aos sábados e domingos.

Segundo a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), um diferencial importante da pesquisa é que são medidas substâncias oriundas do pós-consumo das drogas, o que oferece a possibilidade de uma investigação a curto prazo, com dados produzidos em tempo quase real.

“Hoje conseguimos, por exemplo, observar a variação de consumo durante vários dias consecutivos, identificando a influência de finais de semana, de eventos sociais e de feriados nacionais sobre o consumo de drogas”, explica um professor da UnB envolvido no estudo.

“A Caesb incentiva a inovação e o uso de novas tecnologias para a identificação dos componentes dos esgotos domésticos, uma vez que vários cursos d’água, além de receptores de esgotos, tornaram-se mananciais de abastecimento de água”, complementa.

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