Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 20 de março de 2020
A redução dos estoques de sangue está preocupando o Ministério da Saúde no momento em que o novo coronavírus começa a se espalhar pelo país. O secretário-executivo da pasta, João Gabbardo dos Reis, fez um apelo para que as pessoas doem sangue. Para evitar aglomerações, ele disse que o horário poderá ser agendado. Segundo Gabbardo, em razão do novo coronavírus, houve uma redução de 30% a 40% nos estoques do Brasil, em especial em São Paulo.
— O risco de nós, ou de um familiar nosso necessitar de uma cirurgia de urgência, ir a um hospital e precisar de sangue é muito grande. O risco de um familiar nosso sofrer um acidente, ir a um hospital e precisar de sangue é bastante significativo. E os nossos bancos de sangue, em função do coronavírus, estão absolutamente desabastecidos — disse Gabbardo, que é o número dois da pasta, acrescentando: — Nos ajudem a fazer uma grande mobilização para as pessoas irem aos bancos de sangue e fazerem doação.
Não é qualquer pessoa que pode doar sangue. Segundo as regras do Hemocentro de Brasília, por exemplo, é preciso ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 51 quilos, não usar medicamentos, ter dormido pelo menos seis horas na noite anterior, não ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas anteriores, e não ter fumado duas horas antes da doação.
O Hemocentro do DF também proibiu a doação por 15 dias de quem tem os sintomas provocados pelo novo coronavírus, e por 30 dias após o retorno ao Brasil de pessoas que estiveram em países com transmissão do vírus.
Em São Paulo, os bancos de sangue estão com 60% do necessário. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul o número de doadores caiu pela metade. No Paraná, o Hemepar está com o estoque de sangue para apenas três dias, o normal é para dez dias.
“Os bancos de sangue são absolutamente seguros, não há nenhum problema de contaminação, não tem risco nenhum, o atendimento pode ser feito com o horário marcado, que não haja aglomeração”, disse João Gabbardo dos Reis, secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Renda básica emergencial
Uma coalizão de 51 organizações da sociedade civil lançou nesta sexta-feira um programa de Renda Básica Emergencial para amenizar o impacto econômico e social da pandemia do coronavírus. A proposta está detalhada no site do grupo, que abriu uma campanha de assinaturas para poder levar o tema ao Congresso Nacional.
O objetivo é alcançar 77 milhões brasileiros por seis meses, isto é, o dobro de pessoas propostas pelo o Governo e pelo dobro de tempo. “Sabemos quem são e é simples chegar até elas, pois já estão no Cadastro Único, o que permite a rápida adoção da medida, alcançando quem mais precisa”, afirma a plataforma, batizada de A Renda Básica que Queremos. “Outros milhões de desempregados e trabalhadores informais, já cadastrados pelo Número de Identificação Social (NIS), também podem ser beneficiados”, acrescenta.
O Governo Bolsonaro propôs uma ajuda de 200 reais por três meses para trabalhadores informais que estão no Cadastro Único, o que atingiria 38 milhões de pessoas.
Já o valor proposto pelo grupo é de 300 reais para cada membro da família, incluindo os adultos, mas também as crianças e os idosos. As famílias mais pobres possuem, em média, quatro pessoas, o que daria direito a um benefício mensal de 1.200 reais. Esse valor garantiria acesso ao básico em tempos de crise, explica a coalizão. Segundo os cálculos do grupo, a iniciativa significaria um investimento de cerca de 20,5 bilhões por mês, “apenas 0,28% do PIB, totalizando 1,68% pelos 6 meses propostos”, acrescenta.
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