Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 11 de março de 2020
O Ministério Público do Paraguai indiciou cinco pessoas, sendo quatro funcionários públicos, que supostamente facilitaram a entrada de Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto de Assis, no país com passaportes falsos na semana passada. O ex-jogador e o irmão estão detidos desde sexta-feira em um presídio de segurança máxima na capital Assunção.
Segundo o promotor Federico Delfino, os funcionários públicos teriam participação direta na entrada de Ronaldinho e seu irmão no Paraguai ao receberem os passaportes no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, na cidade de Luque, e não alertarem as autoridades de que os documentos eram falsos. Eles, inclusive, até carimbaram os passaportes, permitindo a entrada dos brasileiros.
José Gustavo Molinas (47 anos) e Jorge Rodrigo Villanueva Torales (35 anos), funcionários da Diretoria de Migração, foram denunciados por produção de documentos públicos de conteúdo falso e associação criminosa. Também foram acusadas dos mesmos crimes Shirley Elizabeth Delvalle Enciso (31 anos) e Rosa Carolina Miranda Argüello (40 anos), que trabalharam na Direção Nacional de Aeronáutica Civil, assim como Stella Marys Lugo.
O Ministério Público investiga uma possível organização estruturada de maneira a facilitar o desenvolvimento e o uso de documentos de identidade e passaportes de conteúdos falsos. O esquema contaria com a participação de funcionários estatais e privados e o objetivo seria obter negócios ilegais e benefícios patrimoniais.
Ronaldinho e o irmão tiveram o pedido de transferência para prisão domiciliar negado na terça-feira. A Justiça determinou que eles precisavam permanecer em um presídio durante a investigação. O inquérito pode durar até seis meses para ser concluído, de acordo com as leis paraguaias. Os advogados agora trabalham para recorrer à Segunda Instância. A defesa alega que o ex-jogador não sabia que o passaporte que deram a ele havia sido adulterado.
A defesa do ex-jogador considera a prisão “ilícita, ilegal e abusiva”. Na terça-feira, eles chegaram a oferecer como garantia o imóvel que serviria como prisão domiciliar, no valor de US$ 770 mil dólares (cerca de R$ 4 milhões), mas o juiz negou a oferta.
Os advogados de defesa também apontaram durante a audiência realizada no Palácio de Justiça que o Ministério Público paraguaio trata Ronaldinho e o irmão com discriminação pelo fato de eles serem estrangeiros. “Tal coisa não existe. O Paraguai é um país legalmente soberano e essa soberania deve ser imposta. Contamos com fatos e argumentos sólidos para apoiar a prisão preventiva. Além disso, existe o perigo de fuga devido à falta de raízes dos réus no Paraguai”, disse o promotor Marcelo Pecci. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Os comentários estão desativados.