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Brasil O Ministério Público do Trabalho notificou um empresário que enviou carta aos seus funcionários pedindo votos para Bolsonaro

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Procuradora considera que o dono da rede de supermercados coagiu colaboradores. (Foto: Divulgação)

A PRE (Procuradoria Regional Eleitoral) do Paraná instaurou um procedimento preparatório eleitoral contra o Grupo Condor, rede de supermercados que tem sede em Curitiba, e contra seu presidente, Pedro Joanir Zonta. Ele havia enviado uma carta aos funcionários da empresa, pedindo que eles votem em Jair Bolsonaro (PSL) para Presidente da República.

Também nessa terça-feira, a procuradora Cristiane Sbalqueiro Lopes, do MPT (Ministério Público do Trabalho) notificou a direção da empresa para que Zonta esclareça informações contidas na mensagem. A rede é uma das maiores do ramo no Estado, onde tem 42 lojas – além de uma em Santa Catarina.

Na carta, Zonta ataca a “esquerda” e enumera motivos pelos quais escolheu Bolsonaro. Ele também se compromete, no final do documento, que não haverá corte no décimo-terceiro salário e nas férias dos colaboradores do grupo. “Peço que confiem em mim e nele para colocar o Brasil no rumo certo”, escreve.

Dentre as razões que levam o empresário a votar no candidato do PSL, segundo a carta, estão “a preservação da família”, “as garantias de desenvolvimento econômico, ordem e progresso” e “o respeito à propriedade”. Zonta também associa Bolsonaro a “um País sem corrupção, com a volta dos investimentos, aumento de empregos e a melhora no ambiente de negócios”.

Aina segundo ele, “Bolsonaro entende quem faz o Brasil ir para frente e trabalhará com os empresários e trabalhadores para um País melhor, além de ter liberdade para governar, pois “não fará acertos com partidos”.

Já os motivos elencados por Zonta para não votar na esquerda são: “o fim da família, a desestruturação das empresas públicas e privadas, o aumento da corrupção, o agravamento da crise econômica, o aumento da criminalidade e do desemprego, além da falta de planejamento e a transformação do Brasil em uma Venezuela”.

Constrangimento

Para o Ministério Público Eleitoral e do Trabalho, é preciso verificar se as declarações constantes na carta podem constranger os funcionários do grupo. Em nota, a procuradora regional eleitoral Eloisa Helena Machado ressalta que o caso envolve, sim, coação.

“Quando o dono de uma grande empresa divulga a seus funcionários em quem irá votar e, ao mesmo tempo, pede ‘que confiem em mim e nele para colocar o Brasil no rumo certo’, há clara ofensa ao direito de escolha desses empregados”, afirmou a Eloísa.

Por meio da assessoria de imprensa, o Grupo Condor admitiu a existência da carta e afirmou que se trata de um “documento interno do presidente da empresa a seus empregados, posicionando-se em relação à situação do país e das eleições”. A assessoria informou que o setor jurídico da empresa está tomando ciência dos posicionamentos do MPT.

Zonta já assinou um acordo com o MPT, em que se comprometeu a divulgar em até 48 horas uma nota de esclarecimento sobre a carta encaminhada aos trabalhadores. O documento já foi encaminhado ao grupo de WhatsApp que recebeu a primeira carta e será enviado aos funcionários com acesso ao e-mail institucional da rede. Além disso, deverá ser impressa e afixada junto aos sistemas de registro de ponto, em substituição à anterior. Em caso de descumprimento da medida, a multa diária é de R$ 100 mil.

Havan

Na segunda-feira, o Ministério Público do Trabalho já havia emitido uma nota pública para alertar as empresas e funcionários sobre a proibição de imposição, coação ou direcionamento nas escolhas políticas de empregados. A prática pode caracterizar discriminação em razão de orientação política, irregularidade trabalhista que pode ser alvo de investigação e ação civil pública.

A mensagem foi divulgada depois que começaram a circular vídeos na internet com donos de empresas citando motivos pelos quais votariam em seus candidatos nas eleições de 2018.

Em um desses vídeos, Luciano Hang, dono das lojas Havan, ameaça deixar o País e demitir seus 15 mil funcionários se Bolsonaro não vencer a eleição presidencial. Na gravação, o empresário diz ter feito uma pesquisa de intenção de voto com os colaboradores da empresa e descobriu que 30% deles pretendem votar nulo ou branco.

Nesse momento, Hang faz um alerta sobre o que esses votos dos funcionários poderiam acarretar: “Você está preparado para ganhar a conta da Havan? Você, que sonha em ser líder, gerente, crescer com a Havan, você já imaginou que tudo isso pode acabar no dia sete de outubro e a Havan fechar as portas e demitir os 15 mil colaboradores?”.

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