Terça-feira, 03 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 10 de maio de 2020
Em videoconferência promovida pelo Itaú BBA, o ministro Paulo Guedes (Economia) criticou a concentração do sistema bancário do Brasil. Para ele, com reformas e ampliação de investimentos, a economia ficará mais competitiva.
“Em vez de termos 200 milhões de trouxas sendo explorados por seis bancos, seis empreiteiras, seis empresas de cabotagem, seis distribuidoras de combustíveis; em vez de sermos isso, vai ser o contrário. Teremos centenas, milhares de empresas”, disse no sábado (9).
O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, participava do debate. O grupo faz parte da lista de seis maiores bancos do país, assim como duas instituições financeiras públicas, o Banco do Brasil e a Caixa.
Após o deslize, o ministro fez um esforço para explicar a afirmação. Guedes declarou que não foi uma recriminação a algum banco específico ou a uma determinada empreiteira.
“Eu, quando falo sempre que somos 200 milhões de trouxas com seis bancos, seis empreiteiras, seis isso, seis aquilo, eu quero muito mais enfatizar a importância da competição. […] Mercados pouco competitivos são menos convenientes para os consumidores”, afirmou.
Ele frisou que, apesar da concentração bancária, isso não significa que algum banco tenha feito algo errado, e sim mostra que a economia brasileira é hostil, com alta carga tributária, por exemplo.
Então, o ministro buscou ressaltar que as seis maiores instituições financeiras do país foram as que conseguiram sobreviver a esse ambiente.
A crítica ao sistema bancário foi dita enquanto Guedes defendia reformas estruturantes no país para estimular investimentos e criar uma classe média empreendedora como forma de estimular a economia. Segundo ele, dessa forma, haveria inclusive maior valorização dos trabalhadores, já que a mão-de-obra seria menor.
Gastos com obras e ajuste fiscal
Em queda de braço com as alas militar e política do governo, o ministro Paulo Guedes (Economia) quer condicionar eventual aumento de gastos com obras à aplicação de medidas de ajuste fiscal.
Embora o presidente Jair Bolsonaro em público tenha reforçado apoio a Guedes, há ainda impasse em torno das medidas de retomada da economia no pós-epidemia do novo coronavírus.
O martelo não está batido. De um lado, há a política de austeridade de Guedes e, de outro, a alta de investimentos públicos, com papel intervencionista do Estado — um plano dos militares.
Os atritos entre ministérios nas últimas semanas mostram que o tema não está pacificado. Nessa disputa, Guedes vai traçando uma estratégia a fim de manter a espinha dorsal de sua agenda liberal.
Na equipe econômica, foi dada a orientação de que o debate sobre investimentos em infraestrutura com recursos do Tesouro não está proibido. É uma forma de abrir o diálogo com setores do governo.
Os gastos, no entanto, dizem técnicos de Guedes, só serão autorizados dentro da capacidade do Orçamento e das travas impostas por regras fiscais. Esses limites já estão previstos em lei.
A diretriz tem o objetivo de passar o recado de que não se recorrerá ao aumento da dívida pública para se fazer investimentos.
Em discussões internas, Guedes afirma também que não aceita a flexibilização do teto de gastos. A regra limita o crescimento das despesas públicas à variação da inflação do ano anterior.
Isso significa que a margem para investimentos, hoje já limitada, ficará ainda menor, contrariando os anseios de parte do governo. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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