Sexta-feira, 10 de Julho de 2020

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Economia O ministro da Economia reconheceu que o crédito não está chegando às micro, pequenas e médias empresas

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Ministro disse que deseja ampliar o número de assistidos por programas públicos. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, reconheceu que o crédito não está chegando às micro, pequenas e médias empresas e prometeu novas medidas nas próximas semanas para resolver o problema em meio à pandemia do novo coronavírus.

“O crédito ainda não está chegando na ponta. Falta capital de giro, a demanda é muito maior que a oferta”, reconheceu, em webinar do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre o novo mercado de gás. “O desempenho não é satisfatório. Vamos jogar uma nova rodada de programas de crédito”, disse ele.

O ministro disse que as medidas do governo para reduzir salário e jornada de trabalhadores durante a pandemia preservaram 8,5 milhões de empregos formais. Segundo ele, a perda foi de 1 milhão de empregos, menor que nos Estados Unidos, por exemplo.

Guedes disse ainda que o enfrentamento da segunda onda da crise, que vai atingir a economia, depende das reações de toda a população. O ministro citou como exemplo a importância de preservar pagamentos para fornecedores e empregados domésticos, mesmo que haja dificuldades.

Letargia econômica

Guedes defendeu nesta sexta que o país deve sair da “letargia econômica” em dois estágios, após a economia ter sido “atingida fortemente” pela pandemia do novo coronavírus (covid-19). O primeiro é o retorno seguro ao trabalho, e o segundo é seguir na agenda de reformas, disse Guedes em debate promovido pelo BNDES.

Logo no início da crise provocada pelo novo coronavírus, segundo o ministro, as ações se concentraram na questão da saúde, “a primeira onda que o país precisou enfrentar. Agora, a segunda onda é a econômica”.

Guedes revelou que, em uma reunião realizada na quinta-feira com integrantes da Casa Civil e dos ministérios da Economia e da Saúde, foram analisados protocolos de retorno ao trabalho adotados no mundo. O ministro disse que as análises mostram que há casos de indústrias que souberam se proteger, como a da construção civil no Brasil, que, segundo ele, está funcionando com 93% da capacidade produtiva, com 55 mil pessoas trabalhando nas obras e o registro de 10 mortes. “Trágicas porque cada morte é um universo que se extingue. Para cada um de nós existe um universo. Quando uma vida se apaga, é um universo que acabou”, lamentou.

Embora os protocolos ainda estejam em estudo, Guedes defendeu que o retorno seguro ao trabalho seja feito de maneiras diferentes, quando a saúde permitir. “Imagino que o retorno ao trabalho será segmentado. Não vai ser todo mundo ao mesmo tempo. Será por unidades geográficas. Há regiões onde o índice de contágio está sendo menor. Nas regiões com maior densidade demográfica, o risco de contágio é maior. Então tudo isso vai ser exatamente examinado daqui para frente. Todo mundo já está examinando e analisando esses relatórios para um retorno seguro ao trabalho ali à frente, quando a saúde permitir e der o sinal que está na hora de avançar”, disse.

De acordo com o ministro, os números da construção civil indicam que o setor está fazendo alguma coisa certa no protocolo. “Estão, possivelmente, até protegendo mais vidas do que o que está acontecendo em comunidades, onde há um isolamento, um distanciamento, mas unidades pobres onde estão oito, nove pessoas em uma casa só. Um sai para fazer uma coisa, outro sai para fazer outra. No final, podem até se contagiar com mais velocidade, do que o trabalhador que está indo para um lugar que está tomando conta da saúde dele. Está chegando ao trabalho, é testado, monitorado, tratado, e só depois volta. Está sendo bem tratado”, disse.

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