Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de abril de 2018
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ficou irritado com o tratamento que recebeu durante a sua filiação ao MDB e decidiu repensar a possibilidade de se candidatar ao Palácio do Planalto. No evento na sede do partido de Michel Temer, na terça-feira (03), Meirelles foi recebido em clima de campanha. O protagonista, porém, era o presidente, tanto nas fotos quanto no jingle que ecoava.
A pessoas próximas, o ministro disse que não foi consultado sobre as imagens nem sobre a música que dizia “M de Michel, M de Meirelles, M de MDB”. As peças foram elaboradas, segundo o marqueteiro Elsinho Mouco, “de última hora”.
Após se filiar ao partido, Meirelles foi questionado até quando permaneceria na Fazenda. Respondeu prontamente: “Até sexta-feira”, 6 de abril, último dia útil do prazo para que integrantes do Executivo que queiram se candidatar deixem os cargos.
Na quarta-feira (04), porém, o tom mudou. No Twitter, o ministro disse que na sexta “anunciará sua decisão sobre permanecer ou não à frente da Fazenda”. Auxiliares acreditam que um recuo agora é bastante delicado, visto que ele já anunciou seus planos.
Meirelles avalia que o MDB e Temer não cumpriram com o acordo inicial para sua filiação. Ele sabe que a preferência de candidatura é do presidente. Mas o trato era de que os dois largariam, pelo menos neste momento, com condição de igualdade. O evento, no entanto, o colocou em segundo plano. A decisão de Meirelles de repensar seus planos pode ser um recurso para se reposicionar no MDB e obter condições mais favoráveis.
O ministro aceitou se filiar mesmo sem a garantia de que seria o nome da sigla para as eleições de outubro, mas com a promessa de que poderia tentar decolar nas pesquisas até meados de julho – hoje ele tem 2% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Caso não emplacasse, cogitava ser vice na chapa do presidente. Aos 72 anos, o ministro considera que essa poderia ser sua última oportunidade de disputar uma eleição presidencial.
A saída de Meirelles do cargo é dada como certa. Na terça, o ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, disse ter certeza de que o trabalho de Meirelles teria continuidade com o secretário-executivo, Eduardo Guardia, à frente da pasta.
MDB
Meirelles assinou na terça-feira a ficha de filiação ao MDB. Temer, parlamentares e lideranças do partido participaram do ato de filiação do ministro, que aconteceu na sede da sigla em Brasília.
Questionado durante o evento se será o candidato do MDB à Presidência da República, Meirelles afirmou que isso não é objeto de discussão neste momento. Meirelles deixou o PSD para voltar ao MDB, partido no qual já foi filiado em 2009.
O deputado federal Beto Mansur (SP), um dos vice-líderes do governo na Câmara, também migrou para o MDB durante o mesmo evento. O parlamentar estava no PRB. O ato ainda teve a filiação da deputada federal Maria Helena, que deixa o PSB.
Meirelles assinou a ficha, que logo depois foi abonada por Temer, pelo senador Romero Jucá (RR), presidente da legenda, e pelo deputado Baleia Rossi (SP).
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