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Brasil O ministro do Supremo Gilmar Mendes disse que “a vitimização de Lula criou um mártir”

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Magistrado atribuiu à imprensa parte da culpa pelos impasses do cenário eleitoral. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nessa quarta-feira que o ex-presidente Luiz Inácio Lula é tratado hoje como um mártir por estar preso e que, por esse motivo, está crescendo nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto.

Para o magistrado, a suposta vitimização do petista é de responsabilidade do Judiciário e da imprensa. Ele alerta que o mesmo pode acontecer em relação a outros candidatos processados: “Nós criamos um mártir e agora queremos produzir mais”.

“Agora tem Jair Bolsonaro, daqui a pouco o candidato João Amoêdo e o diabo. Enquanto Lula andava com essa caravana e não sei o quê por aí, tinha 25%. Agora está preso e vitimizado”, prosseguiu. “Não estamos percebendo isso? Tentamos interferir demais na política? Será que somos tolos? Esse é um quadro realmente sem noção. Mas sem noção vocês, sem noção nós, sem noção juízes e promotores.”

Gilmar responsabilizou a imprensa por não impedir o crescimento de Lula nas pesquisas. Para ele, os juízes contribuem para que isso aconteça:

“Nós já produzimos esse desastre que aí está. Ou as pessoas não percebem que nós contribuímos com a vitimização do Lula? Estamos produzindo esse resultado que está aí. Vocês da imprensa não estão conseguindo fazer com que as pessoas não sejam votadas. Vocês estão conseguindo fazer com que as pessoas sejam mais votadas, contribuindo para a vitimização disso. E nós, servindo de instrumento, dando isca para isso. Não pode!”.

Ele também criticou o fato de Lula ser listado como candidato, mesmo que esteja impedido de concorrer. A Lei da Ficha Limpa proíbe a candidatura de condenados por um tribunal de segunda instância, que é o caso do petista.

“Quando você coloca Lula com 40% ou mesmo ganhando no primeiro turno, você está dizendo: ‘banana para Lei da Ficha Limpa'”, condenou.

Bolsonaro

Gilmar fez as declarações a partir da pergunta de jornalistas, na entrada do STF, sobre a possibilidade de Bolsonaro assumir a presidência em caso de vitória nas urnas, mesmo sendo réu em ação penal.

Pela Constituição Federal, se um presidente passar à condição de réu, deve ser licenciado no cargo. Não há previsão, no entanto, para casos inversos: um réu ser eleito presidente. Para o ministro, não haveria empecilho algum em Bolsonaro assumir o cargo:

“Eu acho que vocês estão muito assanhados com essa coisa de querer que um juiz defina questões que passam pelo processo democrático. O que a Constituição diz é que o presidente da República não poderá, depois de recebida a denúncia, continuar no cargo. Só isso. Qualquer outra situação é um devaneio”.

Gilmar Mendes lembrou, ainda, que outros candidatos também têm processos na Justiça. E, se houver o impedimento para assumir o cargo, ninguém vai poder governar o Brasil:

“Esses dias, eu vi na TV que o Fernando Haddad também tem uma ação, o Geraldo Alckmin também. Vamos respeitar um pouco as coisas como elas são. Estamos abusando desse tipo de judicialização e vocês jornalistas têm sido um instrumento disso. Quem é que vai governar? Quem é que passa sem um processo na administração, com toda essa palpitologia que está aí? Vocês conhecem algum administrador que não tem nenhum processo?”.

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