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Colunistas O novo lápis e borracha das escolas

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O futuro da educação brasileira não pertence aos robôs, mas aos humanos que saberão comandá-los com ética

Foto: Ascom/Seduc
O futuro da educação brasileira não pertence aos robôs, mas aos humanos que saberão comandá-los com ética. (Foto: Ascom/Seduc)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A escola brasileira enfrenta hoje um dilema digital que não pode ser resolvido com o simples ato de desligar o roteador. Proibir a inteligência artificial nas salas de aula é uma tentativa vã de conter uma enchente com as mãos. O caminho seguro para o cidadão é aprender a nadar nessa nova correnteza que molda a sociedade moderna.

O Ministério da Educação e a Anatel confirmam que 2025 é o ano da conectividade escolar total no País. Segundo o balanço de dezembro do programa Aprender Conectado, 98% das unidades públicas agora possuem internet de alta velocidade. Ter o sinal é apenas o passo inicial, mas saber como utilizá-lo define o futuro.

Uma visão limitada classifica a inteligência artificial apenas como ferramenta de trapaça para trabalhos escolares. Essa perspectiva ignora o benefício da personalização do ensino, em que cada aluno ganha um tutor em tempo real. O ganho pedagógico é imenso quando a máquina ajuda a sanar dúvidas individuais de forma imediata.

Por outro lado, a aderência cega a esses modelos sem o devido filtro ético representa um risco real para a formação. Sem a alfabetização algorítmica, o estudante torna-se refém de alucinações e preconceitos embutidos nos códigos. Se o algoritmo entrega um dado histórico errado e o aluno não o contesta, a tecnologia vira desinformação.

A defasagem entre a infraestrutura e a formação humana fica evidente com os números do Censo Escolar de dezembro de 2025. O levantamento indica que 82% dos professores percebem a IA como aliada, mas 70% admitem a insegurança técnica. Se o mestre não dominar o código, o aluno fica desamparado diante de uma caixa preta.

A solução para esse impasse reside na pedagogia crítica e não na vigilância punitiva dos alunos. Um estudo da rede Significar, publicado em novembro, mostra que escolas com foco no processo de criação reduziram o plágio em 60%. O peso da avaliação deve migrar do resultado pronto para a capacidade de questionar a lógica da ferramenta.

Saber interpelar um algoritmo e identificar seus preconceitos tornou-se uma habilidade de sobrevivência tão vital quanto saber ler e escrever.

O próximo passo da regulação nacional deve ser o reconhecimento rigoroso dos riscos de privacidade. A proteção de dados dos menores brasileiros precisa ser prioridade absoluta de gestores e empresas. Não podemos permitir que o perfil de nossas crianças seja minerado por gigantes de tecnologia para fins comerciais.

O Plano Nacional de Educação para o decênio 2025-2035 estabelece o letramento em IA como meta central. Essa é uma oportunidade de transformar o código em ferramenta de libertação para jovens das periferias. A tecnologia deve ser uma ponte para a equidade social e nunca um novo muro de exclusão.

O sucesso dessa integração depende, primordialmente, de investimento massivo na valorização da carreira docente. Professores sobrecarregados não conseguem mediar revoluções tecnológicas de forma eficiente e segura. O Estado precisa oferecer recursos para que a educação não seja engolida pela automação sem alma.

O futuro da educação brasileira não pertence aos robôs, mas aos humanos que saberão comandá-los com ética. Alfabetizar para o algoritmo é garantir que o cidadão do amanhã seja o autor da própria história. Vamos ensinar nossos jovens a pensar com a máquina, mas nunca a serem pensados por ela.

* Régis de Oliveira Júnior, jornalista e especialista em inteligência artificial

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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