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Brasil O novo ministro da Fazenda disse que não há como ter uma sensação de bem-estar em um cenário com 12 milhões de desocupados no País

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O novo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. (Foto: José Cruz/ Agência Brasil)

“Não adianta ter inflação baixa se não tem emprego.” A afirmação é do novo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, ao resumir a sensação ainda negativa sobre a economia, um ano após a saída da recessão. Aos 52 anos, o economista assume o ministério após a saída de Henrique Meirelles, que tenta viabilizar sua candidatura ao Planalto.

“Eu estou bem, você está bem. Estamos empregados e, com a inflação baixa, nosso poder de compra aumentou. Agora, e os outros 12 milhões de pessoas que estão sem emprego? Esse é o lado triste do que foi feito, porque quase 13 milhões de pessoas foram jogadas no desemprego no pico da crise. Como é que se tem sensação de bem-estar?” Confira a entrevista ao jornal Folha de S. Paulo:

Muitos dos projetos da equipe econômica ficaram pelo caminho, inclusive a reforma da Previdência. O sr. assume a Fazenda para tocar um plano B?
Deixa eu discordar. Falar que ficou pelo caminho é um exagero enorme. Um monte de coisa foi feita. Ninguém briga com os fatos. A gente não conseguiu aprovar a Previdência, mas, mesmo assim, a compreensão hoje do problema [rombo da Previdência] é muito mais clara do que era lá atrás. Até o Congresso tem clareza de que precisa aprovar [a reforma]. Aqui não tem um plano B, é uma continuidade das coisas em que eu já estava trabalhando. Investi na parceria com o Ministério de Minas e Energia no desenho da capitalização da Eletrobras; coordenava o grupo da cessão onerosa [pendenga judicial com a Petrobras em área de exploração de petróleo]; há um ano discuto com Jorge Rachid [da Receita] a questão tributária.

Isso melhora a herança que para o próximo presidente?
O sucesso na discussão na cessão onerosa traz um volume enorme de recursos que não vamos gastar. Se entrarem 100 bilhões de reais ou outro número, serão usados pelo próximo governo para reduzir o desequilíbrio da regra de ouro.

O que vai fazer de novo?
Eletrobras é nossa prioridade. Mandar o projeto [de simplificação] do PIS e Cofins avançando em paralelo com o ICMS. Vai aprovar? Não sei. Vou apresentar, debater e tentar aprovar. São medidas positivas para economia.

Caminhamos para a campanha eleitoral, e o segundo semestre deverá ser de instabilidade. Acredita que o Congresso trabalhará a seu favor?
O período eleitoral compromete a capacidade de resposta do Congresso. O período crítico são os próximos três meses porque o “timing” dessas coisas, Eletrobras e cessão onerosa, exige avançar antes para ter tempo de realizar as operações subsequentes. Não adianta esperar até outubro, senão fica para o ano que vem.

A Fazenda previu que, sem a reforma da Previdência, a economia pioraria e, em 2019, o país mergulharia de novo em recessão. Isso mudou?
Isso se mantém. O cenário de dificuldade existe. Mas, neste ano, discutimos se o país vai crescer 2,8% ou 3%. Saímos da recessão. Os analistas estão revendo a projeção de crescimento de 2,84% para 2,80%. Estamos discutindo a segunda casa decimal. É essa a deterioração prevista. Vamos com calma.

Mas e a recessão prevista para 2019? Por que o mercado não reagiu negativamente ainda?
Porque há a percepção de que a Previdência entrará na agenda do próximo presidente. Pode ter volatilidade [reação negativa do mercado] pelo compromisso que os candidatos vão assumir e a relevância desses candidatos. Sendo aprovada [a reforma], o cenário é de retomada integral da trajetória. É isso o que está no preço hoje. Se passar a percepção de que esse processo desviou, o cenário muda. Agora não dá pra perder muito tempo. Se não enfrentar desequilíbrio fiscal, e o cerne é Previdência, não haverá crescimento sustentável. Não tem saída.

Não é frustrante uma taxa de desemprego tão elevada?
A questão social [da crise] é grave. Mas ela seria muito pior se a inflação não fosse baixa. O ponto central é: como se sai disso? Eu sei como não se sai. Mas não será com mais gasto público e desequilíbrio fiscal. Essa é a receita certa do fracasso. A nova matriz econômica, de aumento de gasto e redução de imposto, nos trouxe a esse problema social grave. Foram erros atrás de erros que nos levaram a essa situação.

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