Segunda-feira, 03 de Agosto de 2020

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Brasil O novo presidente do BNDES encontrará resistência para abrir a caixa-preta do banco e revelar empréstimos a Cuba, Venezuela, Friboi e Eike Batista

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Gustavo Montezano assumirá o cargo em meio a mobilização interna contra o processo de enxugamento do banco. (Foto: Divulgação/Ministério da Economia)

O novo presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Gustavo Montezano, assumirá o cargo em meio a um momento de mobilização interna contra o processo de enxugamento das funções do banco de fomento.

Encontrará também resistências à principal missão dada pelo presidente Jair Bolsonaro, que é “abrir a caixa-preta” de operações feitas em governos petistas.

Após a nomeação, a AFBNDES (Associação dos Funcionários do BNDES) manteve para esta quarta-feira (19) protesto contra a “antipatriótica destruição” do banco, convocado após a inclusão no texto da reforma da Previdência de cláusula que acaba com os repasse de verbas do PIS/Pasep para a instituição.

“O ato não tem nenhuma relação com a saída do [Joaquim] Levy. Foi convocado em razão da proposta do relator [da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP)]”, disse o vice-presidente da associação, Arthur Koblitz.

A diretoria da associação evitou comentar a indicação de Montezano. Em nota no último sábado (15), a entidade afirmava que Levy agiu corretamente ao não apoiar “fantasias e calúnias” de Bolsonaro em relação à chamada caixa-preta do banco.

A nomeação de Montezano foi recebida com surpresa — o nome não constava nas listas de apostas — e reforça a política de enxugamento do banco e foco na atuação em privatizações, estratégia que vem sendo implementada desde a indicação de Maria Silvia Bastos Marques pelo então presidente Michel Temer após o impeachment de Dilma Rousseff.

Montezano pegará uma diretoria montada recentemente por Levy, que indicou nomes de sua confiança no final de março e, na semana passada, anunciou a criação de uma nova área de mercado de capitais, para onde levaria o advogado Marcos Barbosa Pinto, citado por Bolsonaro como a gota d’água para a demissão.

Em março, Levy levou para o BNDES Roberto Marucco, que deixou a Avon, e Denise Pavarina, ex-diretora do Bradesco, para os lugares de Ricardo Ramos e Cláudia Prates, únicos funcionários de carreira que ainda ocupavam diretorias no banco.

Condenação

Montezano foi condenado a pagar indenização por danos materiais e morais a um condomínio em que morou em São Paulo.

Ele arrombou dois portões do edifício no meio de uma madrugada em outubro de 2015, de acordo com decisões judiciais de primeira e segunda instâncias, porque queria dar continuidade à sua festa de aniversário, com mais de 30 convidados, que havia sido iniciada em outro local.

Segundo o juiz Guilherme Ferreira da Cruz, as imagens de câmeras de segurança do local mostraram cenas “similares às de um arrastão” e revelaram um “comportamento incivil”.

O processo foi movido pelo condomínio em 2016. Para dar fim ao caso, foi fechado um acordo. Em junho de 2018, Montezano pagou R$ 28 mil, valor referente a um mês de aluguel do apartamento onde vivia, no Itaim Bibi, com um amigo.

Na segunda-feira (17), ele foi escolhido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para comandar o maior banco de fomento do país, após a crise em torno da demissão de Joaquim Levy. Antes, era secretário-adjunto de Desestatização e Desinvestimento.

Montezano afirma que pagou os débitos e que o caso está encerrado.

 

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