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Mundo O novo presidente do Uruguai evita opinar sobre o Brasil e pede que as ideologias fiquem de lado para que a região possa avançar

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O centro-direitista Luis Lacalle Pou mantém uma posição cautelosa. (Foto: Reprodução/Twitter)

O presidente Jair Bolsonaro era um dos principais convidados internacionais na posse do novo chefe de Estado do Uruguai, o centro-direitista Luis Lacalle Pou. Mas o presidente uruguaio, defensor de uma forte aliança entre os dois países, foi cuidadoso quando questionado sobre o governo brasileiro. Na noite do último sábado (29), rodeado de gaúchos e cavalos que vieram de todo o Uruguai para participar da cerimônia, Lacalle Pou disse ao jornal O Globo que “devemos deixar os aspectos ideológicos internos de cada país fora das relações para que a região possa avançar”.

Já durante a campanha, o novo presidente uruguaio dispensou o respaldo de Bolsonaro. Hoje, Lacalle Pou mantém uma posição cautelosa e até se incomoda quando é perguntado sobre a atual realidade brasileira: “Não me corresponde opinar sobre temas internos do Brasil.”

O que interessa ao novo governo uruguaio é a relação e a parceria comercial, ponto. Isso, para o chefe de Estado e líder de uma coalizão de cinco partidos de centro e direita, está claríssimo.

“Se conseguirmos deixar a questão ideológica interna fora da discussão e ver aspectos em comum entre os países da região, não tenho dúvidas de que vamos avançar”, declarou Lacalle Pou, durante um evento organizado pela base rural do Partido Nacional, que conquistou, com ele, a quarta Presidência num período de cem anos. O anterior foi seu pai, Luis Alberto Lacalle, que governou o Uruguai entre 1990 e 1995.

Segundo colaboradores, o novo presidente busca mostrar que o campo, crítico e considerado marginalizado pelos governos da esquerdista Frente Ampla (no poder entre 2005 e 2020), será novamente relevante para a política nacional. O mundo rural uruguaio é essencialmente conservador e votou, em massa, por Lacalle Pou. Nas grandes cidades, sobretudo em Montevidéu, a Frente Ampla continua sendo dominante e provavelmente vencerá na disputa por várias prefeituras nas eleições municipais do próximo mês de maio.

Pensando justamente no campo, Lacalle Pou considera prioritário o vínculo com o Brasil, segundo sócio comercial mais importante do Uruguai.

“Vamos viver momentos cruciais, entre outros a ratificação final do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), e acredito que existe uma possibilidade de flexibilizar o Mercosul. Torná-lo mais forte, mas também mais flexível. O presidente do Brasil já falou sobre isso”, assegurou o novo presidente, enquanto um grupo de gaúchos preparava um churrasco ao ar livre.

Perguntado sobre a resistência da Argentina do peronista Alberto Fernández e seus aliados kirchneristas em abrir a economia interna e, também, o Mercosul, Lacalle Pou, mais uma vez, evitou atritos com um governo vizinho: “Não vou opinar sobre isso. Tendo a ser otimista, e cada país tem seus processos internos, eles não devem ser discutidos.”

Para ele, o importante, no discurso, é que Brasil e Argentina cresçam, porque assim, assegurou, “nossas chances de crescer são maiores”. “São dois países dos quais somos muito dependentes. O Brasil é nosso segundo sócio comercial, entre outras coisas, e aspiramos a que seja cada vez mais sócio”, disse o novo presidente do Uruguai.

Em conversas informais, seus ministros e assessores confirmam o que sua atitude pública demonstra: interesse em acordos econômicos e não em alinhamentos políticos ou pessoais. “Poderemos até ter uma relação ótima com Bolsonaro, mas temos de ser cuidadosos porque ganhamos por uma margem muito estreita (37 mil votos) e precisamos consolidar nosso respaldo no centro”, admitiu um futuro ministro do novo governo.

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